sexta-feira, 1 de abril de 2011

OS IMPACTOS DA RADIAÇÃO NO CORPO HUMANO

Aqui vai a tradução da postagem do dia 29/03, do Blog do team_nakagawa , que é uma equipe de médicos e radiologistas do Hospital da Universidade de Tóquio.

OS IMPACTOS DA RADIAÇÃO NO CORPO HUMANO

Os impactos da radiação sobre os organismos vivos são de
[Efeito estocástico] e [Efeitos determinísticos].

Os [Efeitos estocásticos], francamente, significam [carcinogênese (formação do câncer)]. A indução do câncer pela radiação ocorre quando o DNA realacionado à formação do câncer é danificado pela radiação. (*1)

*1) Nos [Efeitos estocásticos] se incluem a influência na genética (efeitos em relação à prole/descendentes). Todavia, este fato foi observado em experiências com animais mas não foram observados em seres humanos, apesar de estarem sendo realizadas as pesquisas detalhadas, por um longo período, focalizados nos sobreviventes da bomba atômica.

Mesmo que seja uma dose insignificante de exposição, a probabilidade [Efeitos estocásticos] = [formação do câncer] aumenta, e pensa-se que o aumento é proporcional à dose de radiação recebida.
Não existe um “limiar” = limite que determine que se a dose for menor que este limiar, está tudo bem. Porém, na exposição (cumulativa) em dose efetiva, abaixo de 100 a 150 mSv (milisievert) não há nenhuma evidência clara de que aumenta a probabilidade de formção de câncer. (*2)

*2) A Comissão Internacional de Proteção Radiológica adota a “idéia” de que a incidência do câncer aumenta numa taxa constante, conforme a dose da radiação, mesmo ela sendo abaixo de 100mSv (milisievert) em dose efetiva. Isto porque para as pessoas que provávelmente irão se expor à radiação, será “mais seguro” pensar que aumentará o risco de carcinogênese mesmo abaixo de 100 mSv.

Bom, se a exposição for acima de 100 mSv a 150 mSv (milisievert) em dose efetiva, a probabilidade de câncer aumenta, mas não passa de 0,5% a mais com 100 mSv. Já com 200 mSv aumenta para 1%, e conforme aumenta a dose, a probabilidade aumentará de forma “linear”.
Todavia, no caso dos japoneses, 1 entre 2 pessoas adquirem câncer, portanto, desde o início o risco de cancer é de 50 %. Então significa que a probabilidade de adquirir cancer, aumenta de 50% para 50,5% ou para 51%.

E outra, os impactos da radiação sobre os seres vivos que deverão ser distinto do [Efeito estocástico] é o de [Efeitos determinísticos]. Neste caso, ocorre a redução dos leucócitos ou faz perder a função reprodutiva. Este [Efeito determinístico] ocorre pela morte celular causado pela radiação. Ao contrário disso, a formação do câncer (que é um dos [efeitos estocásticos] ) é a influência da radiação sobre as células que sobreviveram. Todos os impactos exceto a “carcinogênese” (formação do câncer) são [efeitos determinísticos].

O nosso corpo é formado por mais de 60 trilhões de células das quais 1 a 2% destes morrem todos os dias. Significa que se for 1%, todos os dias morrem cerca de 600 bilhões. Mas nós “não sentimos” nada disto.
Mesmo que pelos efeitos da radiação venham morrer mais células do que a “morte natural” delas, não se vê problemas até que a quantidade de células mortas venha atingir um certo nível pelo aumento da dose de radiação. Pois as células sobreviventes conseguem compensar os tecidos e as funções dos órgãos.

A dose de radiação na qual as células sobreviventes não conseguem mais compensar as células mortas, devido aumento da quantidade de células mortas, é o “limiar” (limite). Isto é, quando a dose de radiação alcança o limiar começam a aparecer falhas ou os problemas, e se estiver abaixo do limiar, não há problemas. Por isso os Efeitos estocásticos que forma o câncer mesmo com uma dose insignificante de radiação e os Efeitos determinísticos (como a redução dos leucócitos ou perda da função reprodutiva) que aparecem somente depois de se expor a uma certa dose de radiação, são diferentes.

No dia 24/03, foi noticiado que 3 funcionários receberam radiação na pele do pé em doses equivalentes de alguns Sievert (Sv), em outras palavras, alguns milhares de milisievert (mSv), ou ainda, alguns milhões de microsievert (μSv).
Se a exposição for abaixo de 3 Sv (Sievert), não se vêem sintomas na pele (actinodermatitis). Isto porque não alcançou o limiar.

Os leucócitos começam a diminuir com cerca de 250 mSv (milisievert, cumulativa) em dose efetiva. Essa dose é o limiar para todos os [Efeitos determinísticos]. Ou seja, com dose abaixo desse limiar, pode-se dizer que não aparecem efeitos determinísticos.

E não podemos levantar a hipótese de que nós cidadãos comuns, venha sofrer uma grande dose de exposição como 250 mSv (milisievert) em dose efetiva. O que nós devemos nos preocupar é sobre o [Efeito determinístico], ou seja, pelo aumento do risco de câncer. Quanto a outras coisas, não vem a ser problema.

Nós achamos que é de suma importância nós termos a consciência em comum a respeito disso e por isso resolvemos escrever no blog.

Referências:
・The 2007 Recommendations of the International Commission on Radiological Protection: ICRP Publication 103. Ann ICRP 37, 1-332 (2007).
・Low-dose extrapolation of radiation-related cancer risk: ICRP publication 99. Ann ICRP 35, 1-140 (2005).
・UNSCEAR, 2000. Sources and Effects of Ionizing Radiation. United Nations Scientific Committee on the Effects of Atomic Radiation Report to the General Assembly with Scientific Annexes.Vol. II: E United Nations, New York, NY.
・UNSCEAR, 2001. Hereditary Effects of Ionizing Radiation. United Nations Scientific Committee on the Effects of Atomic Radiation Report to the General Assembly with Scientific Annexes. United Nations, New York, NY.

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Mais referências a respeito do assunto, aqui no site da Secretaria de Estado da Saúde – Paraná

Abaixo, um breve resumo...

Efeitos estocásticos
São efeitos em que a probabilidade de ocorrência é proporcional à dose de radiação recebida, sem a existência de limiar. Isto significa, que doses pequenas, abaixo dos limites estabelecidos por normas e recomendações de radioproteção, podem induzir tais efeitos. Entre estes efeitos, destaca-se o câncer. A probabilidade de ocorrência de um câncer radioinduzido depende do número de clones de células modificadas no tecido ou órgão, uma vez que depende da sobrevivência de pelo menos um deles para garantir a progressão. O período de aparecimento ( detecção ) do câncer após a exposição pode chegar até 40 anos. No caso de leucemia, a freqüência passa por um máximo entre 5 e 7 anos, com período de Latência de 2 anos
.
Efeitos determinísticos
São efeitos causados por irradiação total ou localizada de um tecido, causando um grau de morte celular não compensado pela reposição ou reparo, com prejuízos detectáveis no funcionamento do tecido ou órgão. Existe um limiar de dose, abaixo do qual a perda de células é insuficiente para prejudicar o tecido ou órgão de um modo detectável. Isto significa que, os efeitos determinísticos, são produzidos por doses elevadas, acima do limiar, onde a severidade ou gravidade do dano aumenta com a dose aplicada. A probabilidade de efeito determinístico, assim definido, é nula para valores de dose abaixo do limiar, e 100% acima.

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