sábado, 14 de maio de 2011

Reator 1, mais de 4mil toneladas de água desapareceram..

No Reator 1, a situação da operação de encher a contenção com água está difícil... mais de 4mil toneladas de água desapareceram.

Na unidade 1 da Usina nuclear Dai-ichi de Fukushima, onde os trabalhos de recuperação estavam mais adiantados para a convergência do acidente, foi comprovado que hove o [derretimento do núcleo (Meltdown)] e uma grande quantidade de combustível derretido está acumulado no fundo da contenção (vide estrutura de um reator nuclear )
Lá estão acontecendo uma série de problemas, um atrás do outro, que requer a revisão do cronograma de trabalho de recuperação/estabilização da usina.

Traçando os antecedentes do acidente para saber porquê, depois de passados 2 meses do acidente, foram descobertos problemas inesperados como estes.

Derretimento do núcleo (Meltdown)
“Não pensamos nesta hipótese (o derretimento total do núcleo). Fomos muito otimistas no reconhecimento.”
Na coletiva para imprensa realizada no dia 13 no Gabinete de prevenção integrado Governo/Tepco, o Assessor do Primeiro-Ministro, Goshi Hosono admitiu que foram muito otimistas quanto as perspectivas.
As unidades  1 a 3 da Usina Dai-ichi de Fukushima perdeu as funções de resfriamento durante o grande terremoto que assolou a costa leste do Japão e os combustíveis que deveriam estar submersos na água, estavam expostas.
A Tepco tem dado continuidade ao trabalho de bombeamento da água, desesperadamente, e presumia que “parte do combustível estivesse derretido, mas que não havia chegado ao ponto de derretimento do núcleo (meltdown)".  A Agência de Segurança Nuclear do Ministério da Economia, Comércio e Insdústrias também tinha uma visão semelhante e o cronograma de trabalho apresentado pela Tepco no dia 17 do mês passado para a estabilização do reator, era um plano que considerava esta hipótese. Por isso mesmo, o derretimento do núcleo descoberto ou confirmado no dia 12 causou um grande impacto sobre as partes interessadas. Principalmente porque achavam que o trabalho de bombeamento da água para encher a contenção estavam indo bem.
A realidade era outra. O derretimento do núcleo foi descoberto quando os medidores do nível de água foram consertados e ajustados pelos funcionários que entraram no edifício do reator. O nível da água dentro do vaso de pressão (com 19m de altura) tinha no máximo 4m de água a partir do fundo.
O combustível derretido deve ter escapado pelos buracos e frestas do vaso de pressão que está com o fundo destruído.
O nível da água na parte da contenção também está abaixo do que foi presumido e pelo menos 4.000 toneladas de água, das 10.000 toneladas de água que foram bombeadas para dentro da contenção “desapareceram”.

Água desaparecida
Porque demoraram a descobrir o problema.
Pelo fato de haver diferença na pressão do vaso de pressão e a da contenção, antes de ajustar o medidor de nível da água, a Tepco presumia que [não havia danos na contenção e que a contenção estava sendo enchido com água].
Porém estavam sendo muito otimistas. Por mais que a radiação elevada dentro do edifício do reator estivessem impedindo o ajuste do medidor de nível da água, não deram importância aos números que praticamente não estavam variando desde quando aconteceu o acidente. Quando salientaram sobre a possibilidade de defeito no medidor e derretimento do núcleo, a Tepco comentou que “após o ajuste dos medidores, previam a redução do nível de água, mas que a redução foi significantemente maior”.
O destino da água desaparecida também requer atenção. Pois há possibilidade da água contaminada com alto teor de material radioativo vazar para fora através dos furos no vaso de pressão. O lugar mais suspeito de que a água estejam retidos, é no subsolo do edifício do reator. Pois quando o funcionário tentou descer a escada, não conseguiu prosseguir por causa de alta radiação.




Tepco Admite o “Meltdown” do reator No 1 da Usina Nuclear de Fukushima.

   A empresa Tokyo Electric Power Company (Tepco) anunciou ontem, dia 12, que há possibilidade das varetas de combustível nuclear (4m de comprimento) terem se derretido por terem ficado totalmente expostos fora da água de resfriamento, caindo no fundo do vaso de pressão e posteriormente vazado junto com a água para a contenção, através de pequenos furos no fundo do vaso de pressão.

   A Tepco admitiu a situação como “Meltdown” (fusão do núcleo de um reator nuclear) e está revisando do trabalho de resfriamento da contenção que estava planejado a sermr preenchendos totalmente com água (Submersão (Tonel d’água)). Com certeza haverá atrasos no trabalho de resfriamento e estão forçados a efetuar uma grande reformulação do cronograma para a convergência do acidente.
   Até então, estavam supondo que o nível da água dentro do vaso de pressão estivessem entre 1,5 a 1,7m abaixo da extremidade superior da varetade combustível, mas o resultado da medição depois de consertar um medidor de água, descobriu que o nível de água está 5 metros abaixo.
   Há grandes possibilidades dos combustíveis do reator 1 terem permanecido completamente expostos por um determinado período, abrindo pequenos furos nas partes soldadas da tubulação, vazando o combustível fundido para a contenção.
   Como a temperatura superficial da parte inferior do vaso de pressão está relativamente baixo, entre 100 a 190 graus Celsius, a Tepco diz que o combustível está sendo resfriado (imerso em água).
   O combustível que provavelmente vazou depois de fundido, está sendo resfriado sem haver aquecimento porque há água dentro da contenção, sendo baixo o risco de uma explosão de hidrogênio.
   Sobre o nível da água dentro do vaso de pressão, segundo Hidehiko Nishiyama, porta-voz da agência de segurança nuclear japonesa, “uma parte (do combustível) está na parte de baixo, derretido, e está sendo bem resfriados (com água)”.
    Até então, a Tepco vinha estimando a percentagem de danos do núcleo em 55%, mas desta vez não nega a posibilidade do combustível ter se derretido completamente, pelo fato da vareta de combustível não manter a sua forma original, por causa do derretimento.
   Até o dia 12, a Tepco bombeou cerca 10 mil toneladas de água no vaso de pressão do reator 1 para resfriar o combustível e atualmete estão sendo bombeados 8 toneladas de água por hora na tentativa de encher o vaso, mas segundo a Tepco, “mais de 3 mil toneladas de água está vazando para algum lugar”. A situação é que, a água deve estar vazando da parte inferior do vaso de pressão, para a contenção, e de lá para algum lugar.
   Diante desta situação, a empresa diz que há necessidade de reformular a estratégia e a Agência de segurança nuclear também observa que “é pouco provável que encha de água até o topo (do combustível)”.


Fonte: SANKEI DIGITAL 1:30hs 13/05/2011


quinta-feira, 12 de maio de 2011

Desafios para a descontaminação do solo contaminado em Fukushima.


Desafios para a concretização: Plantação de brocolines (Brassica rapa var. nippo-oleifera) para a descontaminação do solo que foi contaminado com material radioativo.

Ministério da Agricultura iniciou a pesquisa sobre a plantação de brocolines (Brassica rapa var. nippo-oleifera) - legume da família brassicae, para a descontaminação do solo contaminado com material radioativo.



Já foram iniciados os trabalhos preparativos para a aplicação no Japão, de um projeto de plantio de brocolines que vem sendo executado a alguns anos no Distrito de Narodich que fica na região norte da Ucrânia (então parte da União Soviética), para a descontaminação do solo contaminado no desastre nuclear de Chernobyl.


O Misnistério da Agricultura enviou um grupo de funcionários para a Ucrânia para coletar dados relacionados a obsorção de materiais radioativos (radioatividade) pelos brocolines. Porém já são visíveis os desafios na aplicação do projeto nas áreas atingidas pelo desastre nuclear da Usina Daiichi de Fukushima.


O Vice-Ministro da Agricultura, Takashi Shinohara, que havia visitado o Distrito de Narodich, onde estão sendo realizados os experimentos de descontaminação do solo através do plantio de brocolines, revelou que: “Lá existem uma pilha de dados. Os pesquisadores japoneses irão estudar os resultados dos Institutos de Pesquisa local, para efetuar pesquisa de acordo com a situação do Japão”.


Narodich fica a 70 Km ao leste da Central nuclear de Chernobyl, e mesmo agora, após terem passado 25 anos do desastre ocorrido em 1986, ainda são proibidos o plantio de culturas alimentares em 95% da área do Distrito.


O experimento de descontaminação vem sendo executado desde o ano de 2007, pela NPO (organização sem fins lucrativos)[Assitência a Chernobyl / Chubu] de Nagóia em cooperação conjunta com Universidade local.


Os vegetais absorvem o Potássio dissolvido na umidade do solo durante o crescimento. E dentre os vegetais, a quantidade de absorção do Potássio pelos brocolines e girassóis é grande. Este experimento focaliza o fato da natureza química do Potássio e Césio serem parecidos e aproveitou esta semelhança, fazendo a brocoline absorver o Césio radioativo, que é confundido com o Potássio.


No experimento, as sementes colhidas são transformadas em biodiesel, o bagaço e as folhas em biogás que são purificados. Não foram detectados materiais radioativos de ambos.


Além disso, no 1º ano foram plantados brocolines, no 2º ano foram cultivados o centeio e no 3º ano foram cultivados o trigo sarraceno (soba), nos quais o material radioativo contido na colheita diminuiu até menos que a metade em 3 anos, comparados aos que foram produzidos em solos intocados após a contaminação. Como o material radioativo contido no solo se infiltra ao longo do tempo, será repetido o ciclo do plantio, plantando novamente os brocolines no 4º ano.


Quando se repetem o plantio dos brocolines e o trigo sarraceno todos os anos no mesmo solo, ocorre a [falha de replantio] causando deficiência de crescimento. O Diretor da NPO, Masaharu Kawada, tem a espectativa de que “O nível de contaminação diminuirá gradualmente ao cultivar alternadamente os brocolines e o trigo. Possiblitará uma nova agricultura evitando a falha de replantio, além de possibilitar o uso do trigo como ração para os animais domésticos” .


Porém há desafios como a manipulação dos bagaços dos caules, folhas e sementes, que mesmo transformados em biogás, saem águas residuais contendo material radioativo. O experimento de adsorção de águas residuais em adsorventes para tornar a contaminação radioativa em baixo nível, foi bem sucedido, no entanto ainda não chegou ao ponto de serem aplicados na prática.


Além disso, como as condições de contaminação difere do Japão, não se sabe se serão obtidos resultados semelhantes. A dose de radiação na superfície do solo da plantação de brocolines em Narodich é de 0,6 a 1,0 microsievert/h. O Diretor Kawada acha que em Fukushima há áreas contaminadas acima deste nível.


Por outro lado, tem-se a espectativa de que, comparados à Narodich onde o material radioativo já está infiltrado numa profundidade de 20 a 40cm sendo difícil disolver em água, em Fukushima onde o desastre nuclear ainda é recente, os materiais radioativos estão concentrados na superfície podendo ser facilmente absorvido pelas plantas.


O Diretor aponta que “Será necessária medidas minunciosas e adequadas de acordo com o grau de contaminação”. E comentou, que depois disso, “Para plantar os brocolines de fato, as medidas de manipulação dos caules e folhas têm que ser definido. Mas de qualquer forma, é melhor absorver os materiais radioativos o mais rápido possível, antes que se infiltrem profundamente”.


O Ministério da Agricultira “Considera como uma das opções” (Ministro Michihiko Shikano) e estão apressando a coleta de dados.


Fonte : SANKEI DIGITAL INC. 03/05/2011 22:09hs



Num futuro próximo, veremos vastas plantações de brocolines e as suas flores amarelas fazendo contraste com o céu azul lindo de Fukushima...



sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sobre a exposição à radiação - Prof. Makoto Kondo

Encontrei mais um artigo sobre a dose de radiação. Já não sei mais em que acreditar... são tantas informações que fico meio perdida. Mas apesar dessas inúmeras informações, sei muito bem que sendo muito ou pouca radiação, é risco para saúde. Abaixo, o artigo escrito por:

Makoto Kondo - Docente do Departamento de Radiologia da Faculdade de Medicina da universidade de Keio.

Sobre a exposição à radiação

Aponto a expressão problemática que vem sendo usado nos comentários feitos por especialistas, em muitas reportagens de TVs e jornais, onde dizem que “Não há problema em exposições inferiores a isto”, baseando-se ao padrão de 100 milisieverts.
Li um artigo onde estava escrito : “Sabe-se através dos dados de Hiroshima e Nagasaki, que abaixo de 100 mSv, não há nehum efeito adverso no corpo humano.

Com certeza, em exposições abaixo de 100mSv não aparecem sintomas agudos como queimaduras. A expressão seria adequada se este artigo se referisse a estes sintomas agudos. Porém, na pesquisa de rastreamento dos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki, há resultados de pesquisas que sugerem o aumento de mortes por câncer, mesmo nos casos de exposição à baixa dose de radiação, como doses abaixo de 50 mSv. [1]
Mesmo sendo uma pequena dose de radiação, estocásticamente, há possibilidade de afetar a saúde.
Em relação a exposição à baixa dose de radiação, existem relatórios de levantamento em 400 mil trabalhadores de instalações nucleares em 15 países, incluindo o Japão, que segundo este, a taxa de câncer tem aumentado mesmo que a exposição à radiação seja abaixo de 50 mSv. [2]

Para o  aumento de cada 1 mSv na dose de exposição à radiação, pelo cálculo, o excesso relativo de mortalidade por câncer em percentuais, aumentam 0,97. Isto é, aumenta 97%. Como o cálculo do excesso relativo de mortalidade é um tanto quanto difícil, mostrando apenas os resultados, são os seguintes: Pela estatística, a mortalidade dos japoneses é 30% devido ao câncer, e ao se expor a 10 mSv, o percentual de mortalidade por câncer é de 30,3%, e na exposição à 100 mSv, será 33%.

Esta teoria que considera segura a exposição à radiação inferior a 100 mSv, já é praticamente considerada como errônea nestes ultimos anos.
O câncer não é causado somente pela exposição à radiação.

Tenho formado a idéia de um “balde cancerígenas”. Cada um possui um “balde” com capacidade que variam individualmente. Onde as diversas causas cancerígenas como o cigarro, agrotóxicos e etc., vão se acumulando no “balde”, que quando estiver completamente cheio causa o câncer.
Mesmo que a dose de radiação a que algumas pessoas foram expostas sejam a mesma, dependendo da quantidade contida no “balde” de cada um, em alguns poderá gerar o câncer e em outros, não. Por isso, é difícil estabelecer um valor de referência (Padrão) da carcinogênese devido à dose de radiação.

O cálculo do risco de câncer pela quantidade de cigarro fumado, também é difícil, pois varia de acordo com a quantidade, a idade do fumante e por quantos anos é fumante. Por isso mesmo, acho duvidoso o fato de dizer que é seguro, comparando-se os riscos de exposição à radiação e o risco de carcinogênese devido ao tabagismo.

No mesmo artigo diz o seguinte: “Mesmo que se exponha a 100 mSv, o risco do câncer aumenta 0,5%. Além do mais, o Japão é o país com maior incidência de câncer do mundo. Onde 1 entre 2 pessoas poderá ter câncer. Isto é, o risco já existente que é de 50%, aumentará para 50,5% em decorrência da exposição a 100 mSv de radiação. O risco do tabagismo ainda é maior.

Creio que este  número [0,5%] é originária da taxa de risco (5%) a cada 1 Sievert, que está citado na recomendação do ICRP (Comissão Internacional de Proteção Radiológica) de 2007. Isto é, se são 5% a cada 1 Sievert, em 100 milisievert que é 1/10, o risco é de 0,5%. Porém estes números não significam risco de carcinogênese (risco de ter câncer), e sim o risco de morrer de câncer.
Se neste artigo diz que o 1 entre 2 pessoas podem ter câncer, está tratando da "probabilidade" de adquirir o câncer, e se está adicionando 0,5% que é a "taxa de risco" (risco de morrer), provavelmente está confundindo o risco de carcinogênese com o risco de morte por câncer.
Além de estar confundindo os riscos, não mostra nem a quantidade de cigarros ao dizer que o tabagismo é mais perigoso.
Na minha opinião. a mídia deveria tomar mais cuidados com discussões grosseiras como esta e tomar cuidados na utilização indevida de evidência científica.


Referências
[1]:Brenner DJ, Doll R, Goodhead DT., et al. "Cancer risks attributable to low doses of ionizing radiation: assessing what we really know." Proc Natl Acad Sci U S A. (2003) Nov 25;100(24):13761-6.【PubMed】
[2]:Cardis E, Vrijheid M. Blettner M., et al. "Risk of cancer after low doses of ionising radiation: retrospective cohort study in 15 countries." BMJ (2005) 9;331(7508): 77【PubMed】
Artigos relacionados em japonês:放射線被ばくに関して:近藤誠・慶応大】
Outras referências: Shuryak I, Sachs RK, Brenner DJ. "Cancer risks after radiation exposure in middle age." J Natl Cancer Inst. (2010) Nov 3;102(21):1628-36. 【PubMed】

Fonte: SMC JAPAN -Science Media Centre of Japan  o site em inglês
------------------------------------------------
O artigo a que se refere o Prof. Kondo, suponho que seja o artigo do dia 29/Mar do  team_nakagawa (equipe de radiologia do Hospital da Universidade de Tóquio) que traduzi anteriormente, sobre os impactos da radiação no corpo humano.
Achei importante saber desta opinião também, pois de tanta coisa que rola na mídia, temos que ouvir, pesquisar muito, fazer as somatórias e tirar a média de tudo isso para se ter noção do que está sendo publicado.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

[Usina Nuclear de Fukushima] Conselheiro do Gabinete pediu demissão...

O Conselheiro do Gabinete pediu demissão em protesto às medidas tomadas pelo Governo.

O Professor Toshiso Kosako da Univ. de Tóquio, especialista em Segurança Radiológica, nomeado como Conselheiro do Gabinete do Governo em 16/03 logo após o Grande terremoto no Leste do Japão, pediu demissão do cargo de Conselheiro do Gabinete hoje 29/04 através de carta dirigido ao Primeiro Ministro Naoto Kan. Na conferência de imprensa, o professor criticou que as medidas tomadas pelo governo em relação ao desastre da Usina Nuclear Daiichi de Fukusshima é irresponsável. Principalmente no que se refere à decisão tomada em relação às limiações de atividades escolares externas, que determinou em 20 mSv o limite de dose de radiação anual, defendeu a controversa dizendo que "se eu acatar isso, encerraria a minha carreira de cientista. Não sou capaz de expor o meu próprio filho a isso".

O professor Kosako aponta também o fato de não ter sido realizado e divulgado a previsão do impacto pelo “Sistema de previsão rápido de impactos da dose de radiação ambiental na emergência” (SPEEDI - System for Prediction of Environmental Emergency Dose Information), de acordo com as Diretrizes para emergência nuclear do Governo que diz que “deverá ser acionada imediatamente após a emergência” e criticou as medidas tomadas de improviso desrespeitando a Lei e com isso estar atrasando a convergência da situação.

O Professor revelou que reivindicou os Padrões de radiação para a escola em 1 milisievert/ano, mas não foi aprovada e comentou que “Mesmo entre profissionais de radiologia, são  extremamente poucas as pessoas que se expõe a 20 milisievert/ano, e desejar este valor a crianças (de ensino fundamental) é inaceitável pelo meu humanismo”.



Fonte: Mainichi.jp
21:14hs de 29/04/2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

"Fundação Energia Natural"

O presidente da Softbank, Masayoshi Son informou anteontem (20/04), na reunião do Partido Democrata (PD- Minshutou), que criará a "Fundação Energia Natural" com o propósito de efetuar recomendações ou fazer propostas de política energética no Japão. A fundação será criada ainda este ano com o investimento individual do empresário, que pretende convidar cerca de 100 cientistas do mundo todo para efetuarem apresentações sobre as pesquisas com eixo na geração de energia elétrica  renovável e pedir recomendações sobre política energética.  
O empresário apresentou também o seu  plano de reconstrução das áreas atigidas pelo tsunami na costa do oceano pacífico da região nordeste do Japão, para instalar centrais elétricas de geração de eletricidade por energia solar, denominado "Plano cinturão solar do Leste do Japão".


Fonte: Nikkei Web


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sessão de Q&A da Revista “Nature” (Parte 3)

Sessão de Q&A da Revista “Nature” sobre o desastre nuclear da Usina Nuclear Daiichi de Fukushima

No dia 6/Abril, às 4:00hs da tarde no horário de de Londres, a Revista científica “Nature” (uma das mais antigas e conceituadas publicações científicas do mundo) realizou uma sessão de Perguntas e Respostas on-line, sobre o desastre nuclear da Usina Nuclear de Fukushima, com o Físico Ambiental Jim Smith
A cobertura da Revista Nature sobre o desastre nuclear estão aqui . 
Desde o início, a Revista “Nature” na sua posição de revista multidiciplinar, tem feito coberturas de forma objetiva e explanado em editoriais, baseados em números que vem sendo relatados a todo momento e refletindo em exemplos passados (como Chernobyl e etc.). Os artigos se baseiam na ciência, mas está escrito não só para os cientistas, mas para o público em geral.
Nesta sessão de perguntas e respostas, a “Nature” responde às perguntas feitas pelo público, porém como as perguntas do chat passavam pelo modelador, as perguntas e repostas estão dispostas de forma legível e coerente. O chat original  aqui.  

Aqui está a Parte 1 e a Parte 2


Q&A (Parte 3)
Comentário da Kris: Tem sido relatado que as barras de combustível da unidade 1 estão expostos até 70%. E que eles estão tentando diluir a concentração de hidrogênio através da incubação de nitrogênio. Isto significa que o arrefecimento da unidade 1 tem falhado... possívelmente por acúmulo de sal (sem circulação de água). Na sua opinião qual seria o pior cenário possível para isso?
GB: Em ralação a isto, comentamos no artigo publicado alguns dias atrás  (http://www.nature.com/news/2011/110405/full/news.2011.211.html). Basicamente, se a refrigeração falhou, há possibilidade do núcleo ter se derretido parcialmente ou inteiramente e tenha caído no concreto abaixo. Isso significaria a limpeza por um longo tempo, caro e mais perigoso.
Outro perigo é que no interior do reator pode ocorrer alguma cisão transitória produtora de energia, ou que o reator poderia entrar em funcionamento, acidentalmente. Isso poderia ser um problema real (obviamente), tanto em termos de liberação de radiação quanto na gestão do acidente.
Mas no momento, a evidência de que isso tenha acontecido é muito pouco. Como eu disse anteriormente, as coisas parecem estar estáveis.
GB: Atualmente eu poderia qualificar que: nós não sabemos realmente o que está acontecendo nos reatores, mas aparenta estar estável ...
JS: Vou deixar com o Geoff

Comentário da Yuri: Você poderia explicar as semelhanças e diferenças entre Fukushima e de Chernobyl, em relação ao modelo e a velocidade de propagação das substâncias radioactivas para o solo e oceano?
BO: Jim, você escreveu um livro sobre o Chernobyl, alguma idéia para comparar estes dois?
JS: Chernobyl não afetou significativamente os sistemas marinhos - havia radioactividade no mar Báltico e no Mar Negro (ambos muito longe), mas as concentrações foram muito baixos. Em Fukushima, o sistema marinho é obviamente uma preocupação maior.
Existem semelhanças entre Fukushima e Chernobyl. Estamos preocupados, principalmente sobre os radionuclídeos - iodo e césio. Em Chernobyl, a explosão e a quebra da contenção primária espalhou "partículas quentes" numa área de aproximadamente 10 km. Assim, a zona próxima de Chernobyl foi contaminado com plutónio, estrôncio e outros radionuclídeos que são muito menos volátil do que césio e iodo.

Comentário do Brendan: Existem planos para mover o material radioativo de Fukushima, neste momento, para uma instalação de armazenamento de longa duração (há opções razoáveis)? Ou será que o material tem que ficar lá eternamente?
GB: É uma boa pergunta. Eu não ouvi de nenhum plano de como este ainda. Porém, obviamente, pelo fato do material estar num local de risco, em algum momento, eles podem querer mover o material. Mas pensando de forma realista, eles provavelmente levarão anos até que eles possam fazer qualquer coisa. Eles têm que esperar o combustível esfriar.

Comentário do Adam F: Em Chernobyl, o reator foi envolto numa espécie de túmulo de concreto. Quais são as vantagens e desvantagens deste tipo de técnica. Causariam mais danos do que benefícios em Fukushima?
GB: Eu estava falando com alguém sobre isso outro dia. O risco de um grande túmulo de concreto é que ele teria que estar lá por décadas ou até mesmo por séculos. Levando-se em conta os riscos sísmicos e outros riscos ambientais na região, eu acho que seria extremamente difícil seguir com o plano de concreta-los. Jim pode ter outras idéias.
JS: Isso faz sentido para mim. Além do mais, se começarem a concretar, tornará mais difícil o encerramento ou a resolução do caso.

Comentário do Howard: O feixe de nêutrons que tem sido reportado são sinais de cisão no local? Qual é a situação melhor e o pior considerando a liberação de nêutrons?
GB: Ah sim, o misterioso "feixe de nêutrons". Primeiramente, é quase certo de que seja um problema de tradução. É mais provável que seja uma “explosão de nêutron”. Em segundo lugar, a maioria dos físicos com os quais andei conversando, desconsideraram os relatórios sobre feixes de neutrões perto do local. Existem (cerca de) 3 razões para isso:
  1. Os nêutrons são extremamente difíceis de detectar, por isso as medições seriam difíceis.
  2. As leituras são muito baixas e podem ter sido causados pelos ruídos das radiação gama que estão em   níveis mais elevados no local.
  3. Simplesmente não faz sentido. As leituras estão longe de edifícios. É difícil de entender porque os nêutrons estariam fora do vaso de contenção, por mais que eles estejam sendo liberados.
Definitivamente, existem atividades de nêutrons nestes reatores, como resultado de fissão de outros produtos do combustível, que é certamente perigoso.
JS: Se houver fissão em curso, você poderia ver também alguma evidência de produtos de fissão de curta duração, que apareceria nos dados de monitoramento do ar e da água - Eu não vi nenhuma evidência clara disso ainda, embora eu não tenha visto muito os dados de monitoramento do ar do local.

Comentário da Aya Diab: Jim, na sua opinião, como esse acidente irá afetar o renascimento nuclear?
JS: Boa pergunta. Mas eu acho que é muito cedo para discutir essa questão e fiquei surpreendido em saber que alguns políticos já começaram a fazê-lo enquanto ainda estamos no meio de uma situação acidental.
Vou dar-lhe a minha reação imediata. Porém, eu sou um cientista ambiental e (acredite ou não) após 20 anos de estudo sobre Chernobyl, e mesmo com o caso de Fukushima acontecendo, eu ainda sou pró-nuclear. Eu acho que nós necessitamos de energia nuclear, bem como as energias renováveis para proporcionar o abastecimento de electricidade com baixa emissão de CO2 e a garantia de fornecimento de matéria-prima (urânio e plutónio) para as próximas décadas, pelo menos.

Stuart McIntosh comenta: Adicionando à pergunta de Drew Wright, você acha que os países suscetíveis a terremotos e tsunamis devem adotar outros métodos de obtenção de energia?
BO:Um seguimento à questão do “renascimento nuclear”
JS: Isso também é uma boa pergunta, mas eu a deixaria até passar por este estágio imediato após o acidente, e podemos começar a aprender as lições de Fukushima. No entanto, como o Geoff salientou, os projetos de reatores modernos são muito melhores ...
GB: Todos os reatores nucleares são construídas com alguns riscos em mente, e vale a pena apontar, que os reatores nucleares de Fukushima foram confrontados com um desastre muito pior (do que o imaginado) ao quais eles foram projetas para resistir, mas mesmo assim, sobreviveu (mais ou menos) em partes.
Como disse, penso que esta é uma questão que os reguladores e o público em muitos países terão de responder nos próximos anos. Na verdade, nós já estamos vendo debates intensos em países como a Alemanha.

Comentário da Shelby: A maioria das leituras de radiação ao redor da zona de 19 km foram feitos de maneira pouco científica, muitas vezes medidos com o carro se deslocando de um ponto a outro, não incluindo os detalhes críticos, tais como direção do vento no momento da leitura, quando precisamos ser mais exatos ou quando há grandes oscilações nas leituras, sendo as leituras altas ou baixas, elas podem ser atribuídas aos fatores como a direção do vento ou áreas de leitura extensa. Nós podemos confiar nessas leituras? Parece que só temos uma vaga idéia da dispersão de partículas radioativas sobre essa vasta área.
BO: Tem havido muita discussão sobre a qualidade dos dados disponíveis, Jim, Geoff, alguma ideia?
GB: Vou deixar Jim comentar primeiro, em seguida adicionarei comentário ...
JS: Nas fases iniciais (ou seja, quando o material contaminado está no ar), as leituras serão muito dependente de factores como a direção do vento e poderá variar muito. Mas uma vez que a radioactividade é depositada sobre o solo, a direção do vento não irá afetar as leituras. A umidade do solo poderá afetar, e percebo que nas leituras estão anotados se está chovendo ou não, mas isso não faz muita diferença. Geralmente fico feliz com os dados, mas às vezes fica difícil de interpretar, porque, como você diz, é preciso haver mais informações sobre os métodos de acompanhamento e etc. Isto pode ser um problema de tradução - talvez a versão japonesa é mais completa.
GB: O Departamento de Energia dos EUA fez um levantamento com os aviões, que fornecem uma boa imagem de como a radiação se espalhou. http://blog.energy.gov/content/situation-japan/
Além disso eu acrescentaria que, para ser justo, esta é uma situação muito difícil. É fácil questionar os japoneses, e de fato vale a pena fazê-lo em muitos casos. Mas não devemos esquecer que, especialmente imediatametne após o tsunami, a instrumentação está limitada, bem como o acesso à região.
BO: Nós estamos quase fora do tempo, assim só mais algumas eu acho. Em primeiro lugar para o Jim.
JS: Eu concordo com Geoff sobre isso - eu não iria criticar os japoneses sobre o que eles tem fornecido.

Comentário da Claire Cailes: Como será o risco de câncer decorrente da exposição à contaminação radioativa de Fukushima, comparados ao risco de outros tipos de câncer, tais como o tabagismo.
JS: Certamente muito mais baixo. Como exemplo, a dose de radiação nos trabalhadores de limpeza de Chernobyl foi de cerca de 100 mSv em média. Isso se traduz em um adicional de risco de cerca de 0,5-1% de câncer fatal, na vida futura. Os fumantes contínuam com cerca de 50% de chances de morrer de uma doença relacionados com o tabagismo.

Comentário da Chris Pook: Há muitos dados lá fora, e os japoneses estão fazendo absolutamente tudo o que há de disponíveis, mas a grande diferença é a linha de interpretação e de tendências, e o mais importante, como isso se traduz em Decisões regulamentares, por exemplo, para produtos alimentícios. Alguma reflexão sobre os melhores parâmetros para tomar essas decisões?
BO: Jim, quais os tipos de informações os formuladores de políticas precisam para tomar essas decisões importantes?
GB: A única coisa que eu diria é que eu tenho notado um problema real, na forma como a imprensa tem noticiado sobre a crise: eles tendem a dar valores de pico. Especialmente porque o perigo da radiação depende da exposição ao longo do tempo, e não acho que esses números sejam sempre muito úteis. De fato, uma leitura baixa, porém constante pode ser mais perigosa do que um pico breve.

GB: Além de que, provavelmente seja melhor o Jim responder esta pergunta.
JS: Sim, existem limites de referência para a radioatividade em caso de acidente nuclear. Então, há limites que estão sendo usados pelo Japão para checar os seus alimentos. Mas esses são difíceis de interpretar, como diz o Geoff, o que torna aberta a uma interpretação errada pela mídia.
Porém, uma tendência importante que está surgindo a partir dos dados, é que as taxas de dose de radiação externa nas áreas contaminadas estão caindo rapidamente nesta fase inicial, porque os isótopos de meia-vida curta - Te-132 e I-131 estão decaindo.

BO: Então a última pergunta.

Comentário do Ian: Existe algum observatório internacional que fiscaliza as centrais nucleares ou essas inspeções estão sob controle regulamentar nacional? Evidentemente, não parece ter sido uma falta de visão sobre os riscos, que talvez poderiam ter sido previstos.
BO: Geoff, Jim o que pensam a respeito de coordenação internacional?
GB: A Agência Internacional de Energia Atômica(IAEA) tem autoridade para inspecionar reatores nucleares civis, mas o principal objetivo é para se certificar de que não estejam sendo utilizados para o desenvolvimento de armas nucleares ou outros fins secretos. Imagino que no rescaldo deste acidente, algumas pessoas irão perguntar se a sua autoridade deve ser ampliada.
JS: Era justamente o que ia comentar.
GB: No entanto, em última instância, sendo para o melhor ou para o pior, a segurança deverá permanecer enquadrados nas mãos dos reguladores nacionais.
BO: em, isso é tudo que temos para o momento. Obrigado a todos por participarem. Espero que isto tenha sido útil. E lembre-se, você pode encontrar toda a nossa cobertura de Fukushima aqui: http://www.nature.com/news/specials/japanquake/index.html