terça-feira, 19 de abril de 2011

Sessão de Q&A da Revista “Nature” (Parte 2)

Sessão de Q&A da Revista “Nature” sobre o desastre nuclear da Usina Nuclear Daiichi de Fukushima

No dia 6/Abril, às 4:00hs da tarde no horário de de Londres, a Revista científica “Nature” (uma das mais antigas e conceituadas publicações científicas do mundo) realizou uma sessão de Perguntas e Respostas on-line, sobre o desastre nuclear da Usina Nuclear de Fukushima, com o Físico Ambiental Jim Smith
A Revista “Nature” tem dado cobertura especial sobre o desastre nuclear desde o início, sobre o desastre em si, os dados de medição local, além dos resultados das estimativas elaboradas por diversos órgão de diversos países e vem divulgando os comunicados de imprensa do Japão e dos órgão internacionais relacionados ao assunto. Toda essa cobertura estão aqui ⇒ http://www.nature.com/news/specials/japanquake/index.html
Desde o início, a Revista “Nature” na sua posição de revista multidiciplinar, tem de forma objetiva, feito coberturas e explanado em editoriais, baseados em números que vem sendo relatados a todo momento e em exmplos passados (como Chernobyl e etc.). Os artigos se baseiam na ciência, mas está escrito não só para os cientistas, mas para o público em geral. Nesta sessão de perguntas e respostas, a “Nature” responde às perguntas feitas pelo público, mas como as perguntas do chat passavam pelo modelador, as perguntas e repostas estão dispostas de forma legível e coerente. O chat original está qui ⇒
http://blogs.nature.com/news/thegreatbeyond/2011/04/japans_nuclear_disaster_live_q.html?WT.mc_id=TWT_NatureNews


Aqui está a Parte 1


Q&A (Parte 2)


Senkei Umehara comenta:  Qual a principal fonte de informação para vocês fora do Japão? Eu moro em Tóquio e sei que a imprensa estrangeira participa das conferências de imprensa, mas fiquei na dúvida, se as informações são atualizadas com freqüência.
GB:  Atualmente, as agências japonesas têm feito um bom trabalho de traduzir o material para o Inglês. E nos últimos dias as conferências de imprensa do Secretário-Chefe do Gabinete, Yukio Edano, também foram transmitidos com tradução em inglês. Então, fora daí nós temos muitas informações de fonte primária. Agora, quão confiável são estas informações, é uma outra questão ...


BO: Bom, tivemos também, muitas perguntas a respeito da segurança dos alimentos e do leite no Japão. Jim, você poderia nos dar a sua opinião a respeito?
JS: Como eu disse em minha resposta sobre a viagem - Eu acho que não haverá riscos significativos por ingerir leite contaminado, água e alimentos no Japão. Os níveis (de contaminação) na água são muito baixas, e as autoridades japonesas estão trabalhando arduamente para manter os produtos contaminados fora da cadeia alimentar. Entretanto, será um trabalho difícil, porque eles estão lidando também com terremotos e tsunami.
Eu não poderia afirmar que nenhum produto "contaminado" escapará da “rede” de checagem para circular no mercado, mas gostaria de enfatizar que mesmo que alguém venha consumir este produto, os riscos são muito baixos. Pois os limites* estão estabelecidos pressupondo que os produtos sejam consumidos nestes níveis, por um longo tempo. Então, se alguém comer produtos acima do nível, acidentalmente, não significa que seja uma dose de risco.


Drew Wright comenta:Seguindo em frente, como poderiam as instalações nucleares (especialmente em áreas propensas a terremotos) serem projetados de forma diferente para suportar a atividade sísmica?
GB: Muitos dos projetos mais recentes são supostamente Projetos "passivamente seguros", significando que, mesmo que a sala de controle seja completamente destruído ou incapacitado, o reator irá arrefecer-se por si só.
Eu acho que a questão muito mais difícil é como fazer os reatores já existentes, ficarem mais seguros. No caso de Fukushima Dai-Ichi, é evidente que a posição dos geradores diesel de backup em relação à costa (mar) era um problema. Imagino que as entidades reguladores em todo o mundo estarão revendo o número e o estado de vários sistemas de backup, para ver se eles podem ser melhorados.


Lizzie comenta: Existe alguma grande diferença no efeito da radiação por ter ingerido (peixes, algas) ou terem sido expostas externamente a ela?
JS: A principal diferença é que ele permanece em seu corpo por algum tempo se for ingerido. Isto é levado em conta nos modelos de risco. Por exemplo o Cs-137 é expelida do corpo depois de meses, enqunato que o I-131 é muito mais rápido.
Algumas pessoas também pensam que há um risco maior por causa da radioactividade que está dentro de você. Eu não concordo. A distinção entre os emissores estarem na parte "interna" ou "externa" é um pouco falso. Um raio-X ou raios gama externa causam a produção de elétrons de alta velocidade no corpo, da mesma forma como fazem os emissores quando estão na parte interna. São os elétrons de alta velocidade que causam a ionização, conduzindo potencialmente à danificação de DNA e ao câncer - não importando de onde são originários.


Chinju Park comenta: Se duram décadas, isso significa que a disseminação de materiais radioativos continuam durante esse tempo todo?
GB: Creio que o Jim também tenha opinião sobre isso, mas na minha opinião, não acho que precisamos nos preocupar com a contínua propagação da radiação. Pois por um lado, o combustível vai continuar a arrefecer nos próximos anos, e será muito menos perigoso do que está agora. Por outro lado, os engenheiros devem ser capazes desenvolver algumas medidas para reduzir a propagação de qualquer radiação que consiga escapar. Eu já vi por exemplo, que a TEPCO está pulverizando resina no local, para manter a poeira radioativa em baixo.
Isso não significa que não haverá um lançamento significativo no caminho adiante, mas no geral, a espectaiva é de que a radiação no local irá diminuir.
Jim nada a acrescentar?


JS: O Césio 137 permanecera no solo por um longo tempo (o seu período de semidesintegração são 30 anos). Eles não se espalham para muito longe – pequenas quantidades são espalhadas pelo vento e água. Como os reatores estão agora (felizmente) muito mais estáveis, o problema da radioatividade em relação ao solo, são sobre a radioatividade que já estão no solo.


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* Os limites provisórios estabelecidos pelo governo, foram calculados para "não ultrapassar o menor valor". Em outras palavras, os limites estão estabelecidos para evitar o menor risco.
Citando como exemplo o limite provisório para água ou leite para lactentes, mesmo que os lactentes venham consumir a água ou o leite dentro destes limites, não ultrapassará os 11,1mSv/ano. O mesmo raciocínio é aplicado nas verduras e outros produtos. Por isso, mesmo que as pessoas venham consumir esporádicamente ou acidentalmente os produtos, não estarão correndo sérios riscos.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A radioatividade é contagiosa??

Este artigo é a tradução do blog do team_nakagawa, que é composta por médicos, especialistas de Engenharia Nuclear, Física Teórica, Física Médica, que juntos estão fornecendo informações a respeito da radioatividade pelo ponto de vista médica.
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Tem surgido casos de discriminação entre crianças, nas regiões onde estão abrigados as crianças que evacuaram de Fukushima. Também, estão surgindo problemas no próprio abrigo, contra as pessoas que voltaram temporáriamente para as suas casas. Com certeza, as pessoas que foram rejeitadas vão ficar traumatizadas. Mas ao imaginarmos a reação das pessoas que falaram coisas impensadas, é compreensível que tenham tido reação exagerada pela insegurança de algo pouco conhecido que é a radioatividade.

A radiação ou o material radioativo não são visíveis e à primeira vista, não se pode ver o seu impacto. Isto é uma das causas que aumenta o medo. E a expansão do preconceito e os rumores contra a radioatividade poderá causar grande impacto na recuperação/reconstrução das áreas afetadas.
No momento, nós (principalmente os adultos) temos que temer a radiação “corretamente” .


Nós, o team_nakagawa somos uma equipe de radioterapia. A radiação que aplicamos nos pacientes para o tratamento, é muito mais forte do que a radiação que tem sido observado dentro do terreno da Usina Nuclear Daiichi de Fukushima. Entretanto, quando aplicamos a radiação (irradiação) na parte externa do corpo do paciente, mesmo que cheguemos bem próximos dos pacientes depois do tratamento, nós e nem tampouco os nossos familiares ficam expostos à radiação.


E, além da exposição à radiação, durante a diagnose e a radioterapia, administramos uma variedade de materiais radioativos aos pacientes. Até mesmo o Iodo 131 que está sendo focalizado neste desastre nuclear, o paciente ingere via oral para o tratamento de câncer de tereóide e doença de Basedow-Graves. Ou seja, é aplicado para uma “exposição interna”.
A dose de “exposição interna” na radioterapia, provavelmente é em ordens de grandeza bem maiores do que a dose de “exposição interna” considerada mais elevada nos trabalhadores da usina nuclear de Fukushima.
No tratamento do câncer de tireóide, é aplicado no máximo 3,700,000,000 Bq (Becquerel) a cada vez. Esta quantidade é 10 milhões de vezes maior que o limite provisório para água potável, que é 300 Bq/quilograma.


Mesmo neste caso, o nosso time de radioterapeutas cuidam dos pacientes imediatamente após a administração (OBS 1), não causando nenhum problema.
OBS1: Após tomar o Iodo radioativo, o paciente permanence num quarto. Quando a taxa da dose de radiação medida a uma distância de 1 metro do corpo do paciente for abaixo de 30 μSv(microsievert)/hora, admitimos a saída do quarto e o retorno para casa. No mesmo dia, no caso dos pacientes de Basedow-Graves e em cerca de 3 dias no caso de pacientes de Câncer de Tireóide.


Mesmo que uma pessoa permaneça um longo tempo na área de evacuação, a dose atual de “exposição interna” comparados ao tratamento radiológico, é “insignificante”.
Com isso, talvez possam entender que nunca haverá exposição das pessoas que estiverem ao redor desta pessoa (é claro que nós não estamos alegando, que não há necessidade de considerar os riscos de saúde dos abrigados, causados pela radiação)


Observando os dados de medições de radiação ambiental, não há liberação maciça de material radioativo após o dia 15 de Março. E a intensidade de radiação está plana ou em declínio em cada região.
Não há liberação maciça de material radioativo.
O material radioativo disperso no desastre da usina, caem no solo naturalmente ou com a chuva. A radiação medida atualmente estão sendo emitidos pelo material radioativo que estão no solo, nas plantas ou aqueles que estão grudados nas paredes. Por outro lado, o material radioativo no ar diminuiu ao ponto de não ter necessidade de se preocupar.


Por isso, baseado nos dados de medição atual, é possível saber que é impossível depositar uma grande quantidade de material radioativo na pessoa, só porque a pessoa retornou temporáriamente para a casa na área de evacuação. E mesmo que mantenha contato com esta pessoa, não será contaminado com grandes quantidades de material radioativo (naturalmente, nem por “radioatividade” desconhecido)


Nós do team_nakagawa, por ser uma equipe de radioterapia, temos a tendência de  comparar este desastre nuclear com a exposição rafiológica médica. Porém, como já escrevemos antes em “Qual a diferença com a exposição radiológica médica”, na exposição radiológica médica há méritos e por outro lado, num desastre nuclear não há mérito algum.
Além disso, o desastre causa insegurança a muitas pessoas e traumatiza (principalmente as crianças).
Desejamos a convergência do desastre nuclear de Fukushima, o mais rápido possível.

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É o desejo de muitas pessoas que estão abrigados por causa do desastre. Muitos dos abrigados sofreram duplamente porque além de terem sido atingidos pelo tsunami, tiveram que evacuar às pressas, sem poder voltar à área a procura de familiares desaparecidos, que na época poderiam estar vivos aguardando por regate.
Ainda hoje, depois de 1 mês,  estão impedidos sair à procura dos corpos dos familiares...

Crise nuclear - Na espera de medidas adequadas em relação às crianças II

Política Nuclear que não aprendeu com Hiroshima, Nagasaki e Chernobyl – Na espera de medidas adequadas em relação às crianças II


Cont. do artigo da Dra. Moriyo Kimura  Médica/Oficial técnico do Sistema Médico no Ministério do Trabalho, Saúde e Bem-estar. Atualmente Oficial de Quarentena. Mãe de filhos gêmeos.

Cont...

Então vejamos agora, qual o impaco do Césio 137 em crianças.
O Césio 137 é muito mais perigoso do que o Iodo 131.
Pois o Iodo 131 é eliminado do corpo num período relativamente curto, enquanto que o Césio 137 permanece por um longo período dentro do corpo.

A desintegração radioativa de um material radioativo acontece com o passar do tempo, e o que se torna uma indicação é o período de semidesintegração* ou período de meia-vida.
O período de semidesintegração do Iodo são 8 dias, enquanto que o do Césio 137 são 30 anos.

*Período de semidesintegração é o tempo necessário para que metade do número de átomos de determinada substância radioativa se desintegre. Assim, a cada período de meia–vida, o nº de átomos radioativos cai pela metade.

Diferente do Iodo 131, a maior parte do Césio 137 entra no organismo através do aparelho respiratório como a boca e o nariz. E não atinge somente a tireóide, mas se espalha uniformemente em todos os órgãos do corpo. Além de acumular principalmente no fígado, rins, músculo (princ.músculo cardíaco).
A quantidade de Césio 137 emitido em acidentes nucleares é bem menor comparados à outros tipos de materiais radioativos, mas os danos à saúde são grandes, pelo fato de permanecerem no organismo por um longo período, diferente do Iodo 131 que tem o período de semidesintegração de 8 dias.
Permanecer por um longo período no corpo significa que aumenta o risco de causar câncer.
Há quem diga que “o Césio 137 não tem haver com a carcinogênese”
Mas isso é devido ao fato de que num acidente nuclear são liberados muitos tipos de materiais radioativos, o que dificulta a determinação de qual destes materiais radioativos é o causador.

Certamente, não está provado o relacionamento de algum câncer em particular com o Césio 137, assim como está provado que o Iodo 131 causa o câncer da tireóide.
Mas se todos os materiais radioativos causam danos no DNA, seria normal pensar que “podem causar o câncer”.

Comparando-se com os adultos, crianças tem mais oportunidades de brincar ao ar livre, pode-se dizer então, que as crianças tem mais possibilidades de inalar o Césio que está no ar ou na poeiras.
Além disso, considerando-se que o Césio 137 se dilui fácilmente na água, as crianças que tendem a consumir mais água do que os adultos, proporcionalmente, tomará mais Césio 137.

E mais ainda, há relatos de que (o Césio 137) passa para criança, através do leite materno.
Na pesquisa realizada com recém-nascidos e crianças de 1 ano, foi reportado que com a probabilidade de  40 a 50% passam pelo leite materno. Este resultado comparado aos 25% do Iodo 131, é um número relativamente  alto.Em testes feitos em animais, estão comprovados que há transição para o feto, através da placenta.
Referências: Agência de registro de enfermidades por substâncias tóxicas: Césio (The Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR))

Os chamados de peritos e o Governo dizem que “não há efeito imediato (sobre a saúde)”.
Ao fundo, existe o fato de que não há estudo sobre a radiação nociva, a médio e longo prazo.
Porém, é evidente que o material radioativo permanece no organismo por um determinado tempo.
E que com isso, vai danificando o gene.

Os que sofrem maiores impactos, são os recém-nascidos, os lactentes e o bebê que está na barriga.
 
Se o argumento é que de que o grau de risco é incerto, acho que temos que presumir a pior das hipóteses.
Frisei várias vezes em artigos anteriores, que “Agir pensando na pior das hipóteses, é o fundamental na Gestão de Crises”.

É necessário proteger as crianças que são o futuro do Japão.
Podemos dizer que a responsabilidade é nossa, dos adultos.
Para isso, creio que seja indispensável a tomada de decisões drásticas como a evacuação das crianças e grávidas para um lugar seguro, fora do raio de 30 Km e não tomar uma decisão ambígua como “Abrigo em lugares cobertos” como está atualmente.

Mais uma coisa que não pode ser esquecido, é o acompanhamento das crianças que foram expostas à radiação.
E não há mais nada, além de fazer estudos epidemiológicos a longo prazo, como que tipo de doença poderá surgir, a que latência etc.
No entanto, ainda não se ouve nada a respeito de terem iniciado este tipo de pesquisa.
E, mesmo no caso de registro de câncer, infelizmente, só é efetuado individualmente pelas províncias ( e há algumas que nem registram).
Para se efetuar um acompanhamento adequado, será necessária uma estrutura para acompanhar a pessoa onde quer que a pessoa vá morar. Estrutura essa, que ainda não existe.

Este desastre nuclear é um acontecimento infeliz.
Mas é extremamente importante esclarecer o que houve neste desastre e fazer o estudo do que poderá ocorrer futuramente e divulgar sobre o assunto, em prol das futuras indenizações de pacientes e também para o desenvolvimento da energia nuclear no Mundo.

Pode-se dizer que, deixar dados corretos para o futuro faz parte da Gestão de Crises.
Desejo que o Governo e os estudiosos tomem medidas rápidas para proteger a geração futura e também, para não desperdiças as vidas que foram perdidas.

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Enquanto traduzia, estava ouvindo a transmissão da Assembléia Nacional...
Numa hora de crise como esta, ainda há alguns parlamentares  preocupados em culpar ou querer as desculpas do primeiro ministro, sobre as medidas tomadas no início, algumas querendo induzir o primeiro ministro a declarar o fechamento imediado das usinas nucleares...
Porque ao invés de se unirem e discutirem sobre o "montão" de problemas a resolver, eles querem acusar, puxar a perna um do outro... Que coisa feia! 

domingo, 17 de abril de 2011

Crise nuclear - Na espera de medidas adequadas em relação às crianças

Política Nuclear que não aprendeu com Hiroshima, Nagasaki e Chernobyl – Na espera de medidas adequadas em relação às crianças..

Artigo original  da Dra. Moriyo Kimura  - Médica/Oficial Técnico do Sistema Médico do Ministério do Trabalho, Saúde e Bem-estar. Atualmente Oficial de Quarentena. Mãe de filhos gêmeos.

A situação do usina nuclear de Fukushima, ainda não permite otimismo.
Hoje escrevo a repeito dos impactos do material radioativo ao corpo humano. Pois sinto que as medidas tomadas pelo governo atual em relação às grávidas e crianças é "muito fraca".

Denomina-se “exposição”, a exposição de uma pessoa à radiação.
Na exposição à radiação, existem a exposição externa que é a exposição da parte externa do corpo, e a exposição interna na qual o material radioativo entra no corpo.

No caso da exposição externa, há como se livrar dos efeitos da radiação tirando a roupa ou lavando o que se expôs à radiação. No entanto, quado se trata do material radioativo que entrou no corpo, não há o que fazer além de esperar que seja expelido pelo corpo através do suor, urina ou fezes, ou ainda, esperar pela desintegração radioativa  Por isso a exposição interna requer mais cuidados.
O problema mais grave decorrente da radioatividade é o “câncer”.
O câncer (ou cancro) é causado por células que se tornaram oncogenes.
Uma das causas é a radioatividade.
O material radioativo danifica o DNA que é o Gene.
O Gene danificado produz células anormais (que crescem e se dividem sem respeitar os limites normais).

Há casos de desenvolvimento de câncer agudo pela exposição excessiva, mas o que é mais problemático é as células se tornarem
oncogenes no futuro.
Dizem que para que as células se tornem oncogenes, demora cerca de 20 anos.
Por isso, quanto maior o tempo de permanência do material radioativo dentro do corpo, maior é a possibilidade de se tornar oncogenes.
Como o intervalo de tempo até a morte é mais longa nas crianças do que nos adultos, quanto menor a idade em que foi exposto à radiação, a probabilidade de câncer aumenta.

Num desastre nuclear, muitos tipos de materias radioativos são disperses no ambiente.
Dentre estes materiais radioativos, os mais importantes são os isótopos rativos Iodo 131, Césio 137, Estrôncio 90.
Como entrariam no corpo?
Podemos citar duas formas. Os que entraria principalmente através dos aparelhos respiratórios e também através dos alimentos.
Por que meio entraria mais no corpo?
Isto difere dependendo do tipo do material radioativo.

É possível calcular a exposição interna por cada tipo, considerando a dose efetiva depositadas ou dose equivalente.
Estes cálculos podem ser feito através de fórmulas diferentes que também resultam em diferentes respostas, dependendo das condições assumidas (tipo do material radioativo, quantidade, alimento, respiração e a probabilidade de absorção por sexo, idade, peso etc.)

Se no cálculo de alguém, for calculado que a quantidade de exposição não foi tão alto, a pessoa que opina tomando este cálculo como referência dirá que “Não há nenhum efeito específico sobre a saúde”, porém para a resposta obtida num cálculo com as condições assumidas/presumidas mais severas, poderá se dizer que “é muito perigoso”

Aqui, não tenho a intenção de opinar contra estas respostas um a um.
Repito qual é o problema.

O problema neste desatre nuclear, é que tanto o governo quanto a mídia, parece não estar muito ciente do fato de que as grávidas e as crianças (principalmte os menores de 5 anos), são muito mais sensíveis à radiação, do que os adultos.

O que não pode ser esquecido, é que uma criança não é um adulto pequeno.
Um pediatra sempre me dizia que “Crianças e adultos são criaturas diferentes”, e essa palavra se adequa perfeitamente a esta situação.
O que é diferente?
É que os impactos da radiação recebidos por uma criança é bem maior comparados ao do adulto.
A criança cresce rapidamente desde a fase em que está na barriga, até andar.
O metabolismo celular, ou seja, a replicação genética é intensa, por isso, naturalmete é sensível.

Aqui cito os impactos dos dois materiais radioativos que podem ser ditos que são representantes – o Iodo 131 e o Césio 137 – sobre as crianças.

Primeiramente o Iodo 131.  
A maior parte do Iodo 131 é ingerido junto com a comida e a bebida.
E destes Iodo 131 que foram ingeridos, cerca de 20 % são acumulados na tireóide.
Os 80% restante saem do corpo através do suor , urina e fezes.

A Humanidade experimentou uma grande contaminação radioativa no passado.
Tais como a bomba atômica, os testes nucleares nas Ilhas Marshall, o desastre nuclear de Chernobyl.
Foi constatado no acompanhamento das crianças expostas à radiação de que, em comparação com os adultos,  as crianças são suscetíveis ao Iodo radioativo e são propensas a Cãncer de trireóide.  

Especialmente os recém-nascidos tem as funções da tireóide bastante ativa.
Nos 10 primeiros dias de vida absorvem 3 a 4x mais iodos do que um adulto.
E, quanto menor a criança, menor é o tamanho da tireóide,
por isso, se uma criança for exposto à mesma quantidade de radiação de uma adulto,será condensado uma alta concentração do Iodo 131 na pequena glândula tireóide, muito mais do que nos adultos.
Citei que o Iodo 131 entra muito no corpo através da comida, mas comparados a um adulto, as crianças possuem facilidade de absorever através do trato digestivo.
Isto é, podemos dizer que os recém-nascidos e lactentes tem mais facilidade de absorver o Iodo 131 no corpo.

O Iodo 131 migra também para o leite.
A exposição dos animais domésticos também é igual ao ser humano.
Como em geral as crianças bebem mais leite do que os adultos, podemos dizer que aumenta a possibilidade de ser exposto à radiação.
O leite materno também não é excessão e o bebê ao mamar o leite materno contaminado com Iodo 131, tende a acumular o iodo radioativo.

Além disso, o iodo radioativo pode migrar através da placenta, para o feto que está na barriga.
E, a glândula tireóide começa a funcionar a partir de 12 semanas de gravidez, onde há captção ativa do iodo.

http://www.atsdr.cdc.gov/toxprofiles/tp158.pdf
(The Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR))

Creio que tenham entendido a respeito da relação do Iodo 131 com o câncer de tereóide.

Cont....


quarta-feira, 13 de abril de 2011

10 coisas a aprender com o Japão

A blogueira Yoko Sakanoue traduziu um e-mail que anda circulando entre os funcionários do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (a mensagem original em inglês está no blog dela). Achei interessante e resolvi traduzir também para o português. O que mais me tocou no coração, foi a mensagem que ela escreveu....


- 10 coisas a se aprender com o Japão -


1. A CALMA - Não há um único visual de sofrimento sem domínio ou de derrota. A tristeza se elevou por si só.


2. A DIGNIDE - Filas disciplinadas por água e mantimentos. Não as palavras grosseiras ou um gesto bruto.


3. A HABILIDADE - Por exemplo, os incríveis arquitetos. Os edifícios balançaram mas não caíram.


4. A BONDADE - As pessoas compravam somente coisas que precisavam para o presente, para que todos pudessem comprar algo.


5. A ORDEM - Nenhum saque em lojas. Nenhum buzinando e nem ultrapassagens agressivas nas estradas. Apenas a compreensão


6. O SACRIFÍCIO - Cinquenta trabalhadores que ficaram para trás, para bombear água do mar nos reatores. Como poderão pagar por este sacrifício?


7. A TERNURA - Restaurantes baixaram os preços. Os caixas-eletrônicos são deixados sem guardas. Os fortes ajudando os fracos.


8. O TREINAMENTO - Os mais velhos e as crianças sabiam exatamente o que deveria ser feito. E eles os fizeram exatamente.


9. A MíDIA - Eles mostram moderação magnífica nos boletins. Nenhuma bobagem. Somente reportagens calmas.


10. A CONSCIÊNCIA - Na queda de energia elétrica dentro de uma loja, as pessoas simplesmente colocaram as coisas de volta nas prateleiras e saíram calmamente.


Verdadeiramente inspirador – o que está acontecendo na Terra do Sol Nascente.


Pode ser que não tenha sido desta forma em alguns lugares.
Pode ser que não tenha acontecido desta forma.
É claro que podem ter muitas pessoas que não se comportaram assim.
Mas os detalhes, não importam...
Não há necessidade de procurar fatos ocorridos realmente para desmentir, retrucar ou ofender para mogoar.
Quando li este mail, fechei os olhos e pensei… quero guardá-lo para mim mesma, talvez seja algo que eu mesma queira recuperar.
Quero transmitir isso para muitas crianças aqui no Japão, dizer a eles o seguinte:
    Vocês são japoneses que ganharam admiração no Mundo inteiro, pelas suas ações ou atitudes.
    Vocês cresceram num país onde existe uma cultura, que faz com que as pessoas se comportem desta forma, naturalmente.
Hoje, quero simplesmente me orgulhar por ser uma dessas pessoas, uma japonesa.
Quando nos encontramos inseguros, quase chorando no meio de um caminho muito longe do final, é muito importante ouvir alguém dizer
Isso se tornará energia.

Para enfrentarmos uma batalha que continuará desde amanhã, por um longo, longo tempo.
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Realmente, não digo que tudo isso seja verídico, mas de modo geral, capta extamente o comportamento do povo. A grande maioria se mantém calmos, mesmo debaixo de muita insegurança, temor dos terremotos e do desatre nuclear.
Eu mesma, vivo atenta para qualquer tremorzinho. Os tremores de 4 graus já nem me assustam tanto quanto antes, mas os de 5 graus.... dá umas boas chacoalhadas! É de dar nos nervos porque não sabemos a hora que os tremores cessam, e fico contando os segundos até cessar...


E assim vamos levando, o que nos resta é rezar para que a terra se assente logo...


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terça-feira, 12 de abril de 2011

TEPCO "preocupação de ultrapassar o desastre nuclear de Chernobyl”

Na coletiva da manhã do dia 12, Jun-ichi Matsumoto, Chefe-substituto do Dep.Nuclear e Localização da TEPCO, declarou à imprensa que o governo aumentou o nível da gravidade do desastre da Usina Nuclear Daiichi de Fukushima para "Nível 7", baseados na Escala Internacional de Acidentes Nucleares. Ele demonstrou estar ciente de que : "ainda não conseguimos parar o vazamento de material radioativo da Usina Nuclear Daiichi de Fukushima e a quantidade de emissão de material radioativo poderá ser equivalente ao desastre nuclear de Chernobyl, e há preocupação de até mesmo ultrapassar."

A Agência de Segurança Nuclear do Gabinete do Governo, havia declarado na mesma manhã numa coletiva à imprensa, que a quantidade de material radioativo disperso está em torno de 1% comparados ao nível de dispersão ocorrido em Chernobyl.
Porém, no caso da Usina Nuclear Daiichi de Fukushima, ainda existe a possibilidade do vaso de pressão e da contenção estarem danificadas, e o Chefe-Substituto explicou que "Se 100% do material radioativo sair do reator nuclear, há possibilidade de ultrapassar o desastre de Chernobyl".

Fonte: Sankei News 2011.4.12 12:39

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Veja nas páginas anteriores, as referências sobre o vaso de pressão e contenção.

Agência de segurança nuclear decidiu aumentar o nível do desastre para Nível 7

Agência de segurança nuclear decidiu aumentar o nível do desastre para Nível 7 da Escala Internacional de Acidentes Nucleares .

Fonte: Mainichi jp. 09:07 do dia 12/04/2011

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Numa edição precedente que está abaixo, estão os detalhes que estavam sendo avaliados.

No último dia 11, a Agência de Segurança nuclear do gabinete do governo, expressou a opinião de que logo após a incidência do desastre na Usina Nuclear Daiichi de Fukushima, o material radioativo foi disperso por durante várias  horas, dispersando até no máximo 10.000 Tera Becqueréis por hora. Suspeita-se atualmente que o nível tenha caido para 1 Tera Becquerel por hora.
(Becquerel é a força de radioatividade; 1 Tera Bq = 1 Trilhão Bq).

O desastre ocorrido desta vez emitiu quantidade de material radioativo que equivale ao nível 7, em apenas algumas horas, por isso o governo está avaliando o aumento do nível, que no momento é 5. O  desastre nuclear ocorrido no passado, que atingiu o nível 7, é o desastre nuclear de Chernobyl ocorrio em 1986 .

A INES (Escala Internacional de Acidentes Nucleares)  classifica os desastres nucleares do nível 0 a 8. O desastre nuclear de Three Mile Island (EUA,1979) está classificado no nível 5, e o da JCO (1999) no nível 4.

Fonte: Mainichi  01:22 do dia 12/04/2011

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Atenção:   Segundo a NHK, o nível atingiu a 7, mas não sgnifica que a situação seja catastrófica como no caso de Chernobyl, onde houve uma grande dirpersão do material radioativo ao ar livre. Pois no caso de Fukushima, o vaso de pressão do reator ainda está "inteiro" apesar dos edifícios terem sido destruídos pela explosão de hidrogênio que vazou da contenção.
Além disso, desde o dia do desastre, os moradores estão sendo evacuados da região, o que não aconteceu em Chernobyl e acabou agravando a situação.
O nível de gravidade do desastre de Fukushima, apesar de ter sido classificado em 7, a quantidade de dispersão de material radioativo  está em torno de 1% comparados ao nível de dispersão ocorrido em Chernobyl.



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Onde está a diferença?

Em Chernobyl o reator estava funcionando à baixa potência. Além disso, a estrutura da própria usina eram diferentes. As dimensões do Vaso do Reator eram maiores, por causa da montagem dos blocos de grafite.
O Edifício do Reator funcionava como contenção única, mas não  lacrado. A parte superior do compartimento do Vaso do Reator era uma tampa de concreto. Onde houve uma explosão de vapor, que arrebentou os tubos, os elementos combustíveis e os blocos de grafite.
A explosão foi tão violenta que deslocou a tampa de concreto e destruiu o teto do prédio, que não foi previsto para agüentar tal impacto, deixando o Reator aberto para o meio ambiente.

Já em Fukushima, a estrutura é triplicada, com o Vaso de Pressão (onde estão os combústíveis), a Contenção, que é uma grande "carcaça" ou envoltório de aço forjado, e por último, o envoltório de concreto que é o Edifício do Reator (que foram danificados pela explosão de hidrogênio).

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