segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sessão de Q&A on-line da Revista “Nature” (parte 1)

Sessão de Q&A on-line da Revista “Nature” sobre o desastre nuclear da Usina Nuclear Daiichi de Fukushima.


Talvez já seja do conhecimento de muitas pessoas, mas soube dessa sessão de Q&A através de um artigo de uma blogueira aqui do Japão. Aqui vai a tradução de algumas partes (não é na íntegra) de uma sessão de perguntas e respostas on-line, realizada pela revista "Nature".
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No dia 6/Abril, às 4:00hs da tarde no horário de de Londres, a Revista científica “Nature” (uma das mais antigas e conceituadas publicações científicas do mundo) realizou uma sessão de Perguntas e Respostas on-line, sobre o desastre nuclear da Usina Nuclear de Fukushima, com o Físico Ambiental Jim Smith.

A Revista “Nature” tem dado cobertura sobre o desastre nuclear desde o início, sobre o desastre em si, os dados de medição local, além dos resultados das estimativas elaboradas por diversos órgão de diversos países e vem divulgando os comunicados de imprensa do Japão e dos órgão internacionais relacionados ao assunto. Toda essa cobertura estão aqui ⇒ http://www.nature.com/news/specials/japanquake/index.html

Desde o princípio, a Revista “Nature” na sua posição de revista multidiciplinar, tem  dado coberturas e explanado em editoriais, de forma objetiva, baseados em números que vem sendo reportados a todo momento e baseados também em exmplos passados (como Chernobyl e etc.). Os artigos se baseiam na ciência, mas está destinado só para os cientistas, mas para o público em geral. Nesta sessão de perguntas e respostas, a “Nature” responde às perguntas feitas pelo público, mas como as perguntas do chat passavam pelo modelador, as perguntas e repostas estão dispostas de forma legível e coerente. O chat original está qui ⇒ http://blogs.nature.com/news/thegreatbeyond/2011/04/japans_nuclear_disaster_live_q.html?WT.mc_id=TWT_NatureNews
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Q&A (parte 1)

Brian Owens: Boa tarde, bem vindos ao Q&A sobre o desastre nuclear de Fukushima. O Físico Ambiental jim Smith da Universidade de Portsmouthe e o Geoff Brumfiel que é o Correspondente de CiênciasFísicas Sénior da Revista Nature responderão as perguntas.

BO: Para começar, tivemos algumas pessoas perguntando sobre a segurança dos que viajam para a região, inclusive alguém cuja filha está estudando no Japão, e também de pessoas viajando para a Coréia. Jim, você poderia nos dizer um pouco sobre os riscos de radiação para os viajantes?

JS: Não há nenhum risco significativo para viajar para países fora do Japão - é provável que você receba uma dose de radiação muito maior de raios cósmicos durante o vôo. Mesmo no Japão, os riscos da radiação são muito, muito baixa.Isto porque (1) produtos contaminados estão sendo mantidos fora da cadeia alimentar. (2) para além da área de, digamos 40-50km, não há um grande risco de radioactividade depositada. (3) o iodo radioativo, que está causando toda a preocupação no momento, a radioatividade está se decaindo e tudo isso desaparecerá dentro de algumas semanas. Eu estaria mais preocupado com a interrupção dos serviços e a ansiedade causada pelo terremoto, tsunami e de acidente nuclear.

BO: Obrigado Jim, espero que ajude a tranqüilizar os viajantes nervosos. Uma pergunta para Geoff, a Peggy pergunta no blog:... Existe alguma solução prática à prova de tufão e terremotos para se armazenar a água contaminada (água para resfriamento do combustível nuclear) necessária para resfriar o combustível? Quais são as possibilidades da água altamente contaminadas vazar ao ponto deles serem incapazes de manter a temperatura do combustível?

GB: Eis aqui duas perguntas que valeriam milhões! Infelizmente, eu não tenho certeza se alguém pode dar uma boa resposta no momento. A curto prazo, os engenheiros da usina estão planejando usar tanques de armazenamento já existentes, para armazenar água altamente radioativa. Para isso, vão liberar alguns milhares de toneladas de água contaminada com baixa radioatividade que estava no tanque, no oceano Pacífico. Estes tanques são, obviamente, à prova de terremotos e tufões no sentido de que eles resistiram ao gigantesco terremoto e tsunami recentemente. Mas eu não acho sejam uma boa solução a longo prazo.

GB: Em relação a segunda pergunta, é difícil prever o agravamento de vazamentos, em parte porque não sabemos qual a real extensão do dano dentro da usina. A TEPCO recentemente selou o pior vazamento (ao redor da unidade 2), mas eles admitem que podem haver outros vazamentos. Ainda assim, acho que vale ressaltar que nestes últimos dez dias, as condições dentro dos reatores parecem estar bastante estável.

Comentário da Zoey: Embora haja altos níveis de césio-137 e Iodo 131 na água do mar ao redor do Japão, muitãs pessas acreditam que não há motivo de preocupação devido à capacidade do oceano diluir o que foijogado nele. Você acredita que outros países devem se preocupar, ou você concorda que o oceano pode corrigi-lo?

JS: Sim, há enorme diluição da radioatividade no sistema marinho. Se com o tempo, qualquer contaminação atravessar o oceano ao ponto de alcançar outros países, mesmo que alcance (se, realmente alcançar), a concentração estará tão baixa, que não apresetará nenhum risco. A preocupação com o sistema marinho é principalmente em área localizada de Fukushima.

GB: Gostaria de complementar que, uma equipe francesa fez a modelação sobre isso, para a IAEA. Isto não responde necessáriamente a pergunta, mas dará noção de como o material radioativo se dispersará.

http://sirocco.omp.obs-mip.fr/outils/Symphonie/Produits/Japan/SymphoniePreviJapan.htm

Comentário da Sonny Trench: Mas os peixes contaminados não atravessariam o oceano?

BO: Boa pergunta, eu mesmo gostaria de saber...Jim?

JS: Realmente é uma boa pergunta. Não tenho a certeza de que espécie de peixes estão na região e também, em que medida eles poderiam migrar. Se eles estavam na região contaminada por um longo tempo (a radioatividade leva tempo para chegar até a cadeia alimentar aquática dos peixes) eles podem ficar contaminados. Durante a migração perderiam a radioatividade ao expeli-lo (o I-131 decairia), mas alguns Cs-137 podem permanecer. Eles terão que monitorar as espécies migratórias, se houver algum.

Comentário da Madgdeline Lum: Quanto tempo você acha que a situação Fukushima continuará como está? As principais mídias tem dado cobertura como se fosse um filme de catástrofe, e parecem estar perdidos quanto ao que fazer no momento e que não há uma conclusão previsível.

GB: Para ser justo com os meios de comunicação Madalena, eu acho que todos estão perdidos no moemento. A situação dos reatores são imprevisíveis e os próximos passos estão longe de serem claros. O que podemos dizer é o seguinte: a situação de Fukushima vai estar conosco por muitos anos. Primeiro, os reatores deverão ser colocados sob controle e depois terão ser limpos, que vai ser muito difícil ...

GB: Ainda hoje eu estava dando uma olhada sobre o acidente Windscale britânico que ocorreu em 1957. O cleanup (limpeza) ainda está em andamento. Three Mile Island levou 14 anos. Eu não tenho certeza se Fukushima se encaixa, mas vai levar mais de uma década. Provavelmente muitas décadas.

Sobre os peixes migradores novamente. Havia uma preocupação semelhante sobre as aves migratórias depois de Chernobyl. Que eu me lembre, a radioatividade em aves migratórias foram medidas em países distantes de Chernobyl, apesar disso, que eu saiba, não causou problemas para a cadeia alimentar.

Cont..

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Como garantir água para emergência

Como garantir água para emergência (Sadao Kojima: Especialista em água)

[Garantir água para emergência, foi o prendizado do grande terremoto de Hanshin (região de Kobe)] é um dos tópicos do livro [Água da torneira] do agrônomo Sadao Kojima (EditoraAozora).

Neste tópico, o autor dá a dica sobre a conservação da água, que no no inverno, poderá ser conservada por 3 meses.

Para uma pessoa viver precisa, no mínimo, de 2 litrosde água por dia. Se for incluir a água para lavar o rosto e etc., precisaria de pelo menos 3 litros.

Garanta água para sobreviver por 1 semana. São 20 litros por pessoa. Se for uma família de 4 pessoas, é só multiplicar por 4.
Passando-se 1 semana, provavelmente será possível receber o abastecimento de água de emergência pelos caminhões-tanque de água.

【Como fazer água potável de emergência, usando água da torneira】

Material
- um tanque ou depóstio plástico novo para água potável
(de 10 ou 20 litros, as mulheres e crianças poderão carregar fácilmente os
depósitos de 10 litros)
- alvejante em pó (ou hipoclorito de sódio)
- Saco plástico preto de tamanho grande.

Modo de preparar
1. Coloque 2 ou 3 litros de água da torneira no tanque, tampe, lave bem sacudindo o tanque e jogue a água fora.
2. Se for um tanque de 20 litros, coloque 1 colher grande cheia de alvejante em pó. Se for de 10 litros, meia-colher. Despeje água forte e encha até o máximo, quase ao ponto de derramar.
3. Feche a tampa firmemente, socodir o tanque para misturar bem o alvejante em pó e mantenha o tanque em lugar escuro por 1 semana. Desta forma o conteúdo será desinfetado.
4. Coloque o tanque dentro do saco plástico preto (ou embrulhe o tanque) para bloquear luz, e manteha o tanque em lugares onde não se exponha à luz solar e que não há muita variação de temperatura, ou seja, mantenha em lugar escuro e fresco.
5. Devem ser efetuados a reposição ou a troca da água em 1 mês no verão, e em 3 meses no inverno.

Quando for trocar a água, lave da mesma forma do item 1 e não esqueça de encher até o máximo.
O "point" importante é encher até derramar para não sobrar ar dentro do tanque.

Aproveite a água velha para tomar banho ou regar o seu jardim.

O Sr. Kojima fez experiências para calcular o período de conservação (ou período para trocar a água): no verão pode ser conservada por 1 mês e no inverno até 3 meses.

As companhias de água dizem que [duram somente 3 dias], porque eles tomam como padrão, as mesma condições da água de torneira que contém cloro residual acima de 0,1mg/l.

Como a água potável é conservada em condições hermeticamente fechado em recipiente lavado e esterilizado, não há risco de entrar agentes patogénicos e nem tampouco tem a possibilidade de ser contaminada com material tóxico.




quinta-feira, 7 de abril de 2011

Estrutura de um Reator Nuclear

Encontrei no site da Dra. Shirley de Campos uma postagem sobre o que é um Reator Nuclear, com explicações bastante simples e de fácil compreensão.

Abaixo, o conteúdo adaptado para o caso da Usina Nuclear Daiichi de Fukushima.

De uma forma simplificada, um Reator Nuclear é um equipamento onde se processa uma reação de fissão nuclear, assim como um reator químico é um equipamento onde se processa uma reação química. Um Reator Nuclear para gerar energia elétrica é, na verdade, uma Central Térmica, onde a fonte de calor é o urânio-235, em vez de óleo combustível ou de carvão. É, portanto, uma Central Térmica Nuclear.

A grande vantagem de uma Central Térmica Nuclear é a enorme quantidade de energia que pode ser gerada, ou seja, a potência gerada, para pouco material usado (o urânio).

Volume de material combustível necessário para gerar a mesma quantidade de energia:
 (Urânio 235 = 10gr; Oleo = 700kg; Carvão = 1.200KG)

  • O Combustível Nuclear
O urânio-235, por analogia, é chamado de combustível nuclear, porque pode substituir o óleo ou o carvão, para gerar calor. Não há diferença entre a energia gerada por uma fonte convencional (hidroelétrica ou térmica) e a energia elétrica gerada por um Reator Nuclear. テキストの色

  • O Reator Nuclear de Fukushima
Os Reatores da Usina Nuclear de Fukushima são do tipo BWR (reatores de água em ebulição, na sigla em inglês) que utilizam o Combustível de dióxido de urânio(UO2), exceto no Reator No 3 que é Plu-thermal*, onde se utiliza o Combustível MOX (abreviatura de Óxido Misto).

O Combustível MOX  é  um resultante da mistura do Urânio 238 com o Plutônio. O Plutônio** por sua vez, é obtido através de reprocessamento do combustível irradiado, onde é encontrado numa proporção de cerca de 1% do combustível irradiado, que posteriormente é misturado com o Óxido de Plutônio (PuO2) e o Óxido de Urânio (UO2). O Combustível MOX utilizado no Plu-thermal tem enriquecimento do plutônio de 4 a 9 %. 
O Plutônio enriquecido de 4 a 9% ou o Urânio 235 enriquecido de 2 a 4%, em forma de pastilhas cerâmica de 1 cm de diâmetro e comprimento, é colocado, dentro de tubos ("varetas") de 4m de comprimento, feitos de uma liga especial de zircônio, denominada "zircalloy".

*Plu-thermal é uma palavra Wasei-eigo que aprarentemente é inglês, mas foi criada no Japão, na combinação das palavras Plutônio e Thermal neutron reactor (Reator de nêutrons térmicos) . (Wasei-eigo=inglês criado no Japão)

** Plutônio - De forma artificial, o plutônio-239 é produzido em reatores nucleares por sucessivos decaimentos beta pelo U-239 e Np-239.
O Pu-238 utilizado em geradores termoelétricos de radioisótopos, foi o primeiro a ser sintetizado, ele é criado quando o urânio-238 é bombardeado por um deuterio produzindo netunio(intermediário) e depois Pu-238.

                                                    Estrutura de um Reator Nuclear

  • Varetas de Combustível
As varetas, contendo o urânio, conhecidas como Varetas de Combustível, são montadas em feixes, numa estrutura denominada ELEMENTO COMBUSTÍVEL. As varetas são fechadas, com o objetivo de não deixar escapar o material nelas contido (o urânio e os elementos resultantes da fissão) e podem suportar altas temperaturas. Os elementos resultantes da fissão nuclear (produtos de fissão ou fragmentos da fissão) são radioativos, isto é, emitem radiações e, por isso, devem ficar retidos no interior do Reator. A Vareta de Combustível é a primeira barreira que serve para impedir a saída de material radioativo para o meio ambiente.

  • Barras de Controle
Na estrutura do Elemento Combustível existem tubos guias, por onde podem passar as Barras de Controle, geralmente feitas de cádmio, material que absorve nêutrons, com o objetivo de controlar a reação de fissão nuclear em cadeia. Quando as barras de controle estão totalmente para fora, o Reator está trabalhando no máximo de sua capacidade de gerar energia térmica. Quando elas estão totalmente dentro da estrutura do Elemento Combustível, o Reator está "parado" (não há reação de fissão em cadeia).

No caso de Fukushima a estrutura do Reator No 2 é composta de 3 camadas, a parede mais interna é feita de aço forjado e tem 3 cm de espessura, a segunda camada são paredes de concreto armado com 200cm de espessura, e por último, a de externa feita com concreto armado numa espessura de 100cm.

  • Vaso de Pressão
Os Elementos Combustíveis são colocados dentro de um grande vaso de aço, no caso de Fukushima, “parede” de aço forjado com espessura de 16cm. Esse enorme recipiente, denominado Vaso de Pressão do Reator, é montado sobre uma estrutura de concreto, com cerca de 8 m de espessura na base. O Vaso de Pressão do Reator é a segunda barreira física que serve para impedir a saída de material radioativo para o meio ambiente.

Circuito Primário
O Vaso de Pressão contém a água de refrigeração do núcleo do reator (os elementos combustíveis). Essa água fica circulando quente pelo Gerador de Vapor, em circuito, isto é, não sai desse Sistema, chamado de Circuito Primário. A água que circula no Circuito Primário é usada para aquecer uma outra corrente de água, que passa pelo Gerador de Vapor.
Circuito Secundário
A outra corrente de água, que passa pelo Gerador de Vapor para ser aquecida e transformada em vapor, passa também pela turbina, em forma de vapor, acionando-a. É, a seguir, condensada e bombeada de volta para o Gerador de Vapor, constituindo um outro Sistema de Refrigeração, independente do primeiro. O sistema de geração de vapor é chamado de Circuito Secundário.

Independência entre os sistemas de refrigeração
A independência entre o Circuito Primário e o Circuito Secundário tem o objetivo de evitar que, danificando-se uma ou mais varetas, o material radioativo (urânio e produtos de fissão) passe para o Circuito Secundário. É interessante mencionar que a própria água do Circuito Primário é radioativa.

  • A Contenção
No caso de Fukushima a estrutura do Reator No 2 é de 3 camadas, sendo que, o Vaso de Pressão do Reator e o Gerador de Vapor são instalados em uma grande "carcaça" ou envoltório de aço forjado, com 3 cm de espessura. Esse envoltório, construído para manter contidos os gases ou vapores possíveis de serem liberados durante a operação do Reator, é denominado Contenção. No caso de Fukushima, a Contenção tem a forma de um tubo (cilindro). A Contenção é a terceira barreira que serve para impedir a saída de material radioativo para o meio ambiente.

  • Edifício do Reator
Um último envoltório, de concreto, revestindo a Contenção, é o próprio Edifício do Reator. Tem cerca de 1ooc m de espessura. O Edifício do Reator, construído em concreto e envolvendo a Contenção de aço, é a quarta barreira física que serve para impedir a saída de material radioativo para o meio ambiente e, além disso, protege contra impactos externos.



Infelizmente, no caso da Usina Nuclear Daiichi de Fukushima, não suportou os impactos externos do Grande Terremoto no Leste do Japão, do dia 11 de março de 2011, que foi numa magnitude de 9.0 graus na escala Richter...

Ainda hoje, continuam as tentativas de reter o vazamento de material radioativo, que foi reduzido mas não resolvido. E continuam as tentativas para minimizar as possíveis complicações que poderão ocorrer, com a ajuda de equipes de especialistas vindos do exterior.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Trem bala freou 9 segundos antes dos tremores

No último grande terremoto, o sistema de detecção precoce de terremotos do Trem bala da Linha Nordeste (Touhoku Shinkansen ) foi acionado e com isso os trens iniciaram a redução da velocidade com freios de emergência, 9 segundo antes do primeiro tremor e 1 minuto e 10 segundos antes do tremor mais agudo. A JR Leste do Japão está promovendo a análise detalhada dos dados porque pelo visto, o sistema surtiu efeito e com isso o Trem bala escapou de descarrilamento.
Na ocasião do terremoto, haviam 27 trens bala da Linha Touhoku transportando passageiros, mas todos pararam sem descarrilar.
Além dos sismógrafos instaladas ao longo da Linha Touhoku, a JR Leste do Japão tem 9 sismógrafos instaladas na costa do Oceano Pacífico, em Miyako na Província de Iwate, na Península de Oshika da Província de Miyagi entre outros, e estão preparados com o [Sistema de detecção precoce de terremotos] que detecta os tremores iniciais para reduzir a velocidade dos trens.
Desta vez, o sismógrafo instalada na península de Oshika a cerca de 50 km de distância da linha do Trem bala captou às 14 horas 47minutos e 3 segundos, a aceleração do sismo de [120 gal] que é padrão para a cessação do funcionamento dos trens. Com isso o sistema cessou automáticamente o fornecimento de energia na fiação aérea e todos os trens que estavam operando começaram simultâneamente a desacelerar com o freio de emergência.
Dentre os que estavam operando, o [Hayate 27] e o [Yamabiko 61] estavam entre as Estações de Furukawa e Estação de Sendai onde foi observada a maior oscilação do sismógrafo instalado ao longo da linha.
Na análise de dados efetuada pela JR Leste do Japão, os tremores iniciais começaram entre 9 a 12 segundos após os mesmos terem começado a desacelerar e depois de 1 minuto e 10 segundos aconteceu o tremor mais agudo. Não se sabe ainda, até quantos quilômetros o trem tinha conseguido reduzir a velocidade, mas a JR Leste do Japão está dando continuidade à análise dos dados, por terem observado que os trens escaparam do descarrilamento porque a desaceleração foi iniciado antes do tremor mais agudo.

Fonte: NHK News do dia 5/Abril.

Injeção de nitrogênio na contenção do reator 1 da Usina Nuclear de Fukushima

Injeção de nitrogênio na contenção do reator 1 – Prevenção contra explosão de hidrogênio

 A TEPCO anunciou hoje, dia 6, que vai injetar gás inerte de nitrogênio dentro do envoltório de contenção do reator 1 da Usina Nuclear Daiichi de Fukushima, para tentar evitar a explosão de hidrogênio.
Há uma grande possibilidade de estar vazando dentro do envoltório de contenção, o hidrogênio resultante da reação entre o vapor e zircônio do revestimento do combustível danificado que está dentro do reator 1, já vinha sendo apontado a possibilidade de ocorrer uma explosão de hidrogênio quando este reagir com o oxigênio.
No dia 12/Mar, o reator 1 teve a estrutura externa destruída por uma explosão de hidrogênio e a temperatura dentro do reator onde parte das barras de combustível estão expostos, continua alto. Pelo fato de estarem sendo jorrados 6 ton/hora de água para resfriamento, supõe-se que em decorrência da decomposição da água e etc., há acúmulo de oxigênio e hidrogênio. O aumento de oxigênio vindo de fora para dentro da contenção despressurizada pelo resfriamento do reator, tem causado uma crescente preocupação em relação a explosão de hidrogênio.
São 6000m3 de nitrogênio a serem injetados no envoltório de contenção. Está previsto para serem injetados em alguns dias. A TEPCO tem planos de injetar nitrogênio também, nos reatores 2 e 3.

Fonte: Yomiuri on-line das 11:20 de hoje

terça-feira, 5 de abril de 2011

60 mil toneladas de água poluída com alta concentração

No Nikkei on-line de hoje dia 5, estavam em destaque a situação da Usina Nuclear Daiichi de Fukushima. Abaixo, a tradução.

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Usina Nuclear Daiichi de Fulushima, Será introduzido um produto para solidificação do solo a tentativa de inibir o escoamento da água poluída com material radioativo.
Foi divulgado pela Agência de Segurança Industrial e Nuclear, que são 60 mil toneladas de água poluída com alta concentração. 05/Abr/2011 14:54

A Companhia de Eletricidade de Tóquio (Tepco) iniciou o trabalho de introdução de substâncias para solidificar o solo, visando a impermeabilização da água poluída com material radioativo de alta concentração, que está escoando da Usina Nuclear Daiichi de Fukushima. Supõe-se que a água poluída esteja vazando por entre as pedras da camada abaixo do fosso (túnel vertical) onde estão armazenados os cabos elétricos, e a substância tem a finalidade de preencher as frestas para impermeabilizar. Enquanto isso, no lado do mar, está sendo preparado um envoltório em forma de cortina (cerca). Estão acelerando as contramedidas para a água poluída, sem poder parar o abastecimento da água para o resfriamento do reator.

O escoamento da água contaminada que foi encontrado no dia 2 não parou ainda, mesmo depois de terem sido introduzidos o concreto e posteriormente, polímeros superabsorventes.

Na conferência de imprensa realizada na manhã de hoje, 5/Abril, a Agência de Segurança Industrial e Nuclear do Ministério da Economia, Comércio e Indústria divulgou pela 1ª vez, que a quantidade de água poluída com alto teor de radioatividade que está acumulado no fosso e dentro da construção onde estão as turbinas das usinas 1 a 3, está estimado em 60 mil toneladas. Só cabem 30 mil toneladas nas instalações de tratamento de resíduos. Quanto ao restante, está em vista o uso do mega-float (Grande estrutura flutuante) ainda neste mês, e também o uso de novos tanques.
A Tepco iniciou a introdução das substâncias durante a manhã do dia 5, com previsão de término ainda hoje. Vão ser construídos também no mar, cercados denominado [silt fence] (veja mais detalhes na Wikipédia ) e instalação de chapas de ferro. Já foi iniciado o trabalho de aquisição das peças necessárias para a construção do cercado.

Por outro lado, por ter dado prioridade ao armazenamento da água poluída de alta concentração, estão sendo despejadas ao mar, uma grande quantidade de [água poluída com baixa concentração de material radioativo] que estavam armazenadas nas instalações de tratamento de resíduos. O despejo está previsto a ser concluído em 2 dias, e no dia 5 será despejado durante o dia todo. A drenagem da água do fosso, que está nas proximidades das usinas 5 e 6, vai levar cerca de 5 dias.
A Tepco vai aumentar os pontos de observação para medir a concentração de materias radioativos, que atualmente estão instalados em 4 locais, e 3 pontos a 15 Km da costa, sendo previsto a instalação de mais 3 pontos como a 15 Km da costa da cidade de Minami Souma que fica ao norte da Usina Daiichi.

Além disso, na tarde do dia 5, foi introduzido uma máquina de bombeamento de betão com câmera, para jogar água no tanque de combustível nuclear irradiado da Usina 4. A câmera instalada na ponta do braço é para conferir a posição do tanque para onde será derramado 150 toneladas de água doce.

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Já na atualização das 21:53, estão o seguinte.

Para evitar o escoamento, a Tepco preparou 12 mil litros da substância, das quais a partir das 15 hs de hoje, foram introduzidas 1500 litros. Diz a Tepco, que ao conferir visualmente o fluxo de água poluida [enfraqueceu ligeiramente]. Quanto à cerca [silt-fence] estão previstas a instalação nas proximidades das tomadas de água das usinas 2 e 4, com plano de serem concluídas em 9 a 10 dias.
Da água do mar coletada nas proximidades da tomada de água da usina 2 no dia 4, a Tepco detectou 200 mil Becquereis em 1 centímetro cúbico (200.000 Bq/cm3), do Iodo 131 , ou seja, com concentração 5 milhões de vezes acima do limiar de concentração determinado por Lei. No dia 2 foram 300mil Bq sendo 7,5milhões de vezes, no dia 3 foram 79 mil Bq com 2 milhões de vezes acima do limiar, não sendo notado tendências para redução.

Por outro lado, o despejo de água poluída com baixa concentração de material radioativo continua, sendo previsto o despejo até a tarde do dia 6. O trabalho de drenagem da água subterrânea das proximidades da usina 5 e 6 que estão arrefecidos, durará cerca de 5 dias até concluir.



Já não sei nem mais o que comentar a respeito dessa situação horrível de muitas preocupações a que estamos sendo sujeitos...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

OS IMPACTOS DA RADIAÇÃO NO CORPO HUMANO

Aqui vai a tradução da postagem do dia 29/03, do Blog do team_nakagawa , que é uma equipe de médicos e radiologistas do Hospital da Universidade de Tóquio.

OS IMPACTOS DA RADIAÇÃO NO CORPO HUMANO

Os impactos da radiação sobre os organismos vivos são de
[Efeito estocástico] e [Efeitos determinísticos].

Os [Efeitos estocásticos], francamente, significam [carcinogênese (formação do câncer)]. A indução do câncer pela radiação ocorre quando o DNA realacionado à formação do câncer é danificado pela radiação. (*1)

*1) Nos [Efeitos estocásticos] se incluem a influência na genética (efeitos em relação à prole/descendentes). Todavia, este fato foi observado em experiências com animais mas não foram observados em seres humanos, apesar de estarem sendo realizadas as pesquisas detalhadas, por um longo período, focalizados nos sobreviventes da bomba atômica.

Mesmo que seja uma dose insignificante de exposição, a probabilidade [Efeitos estocásticos] = [formação do câncer] aumenta, e pensa-se que o aumento é proporcional à dose de radiação recebida.
Não existe um “limiar” = limite que determine que se a dose for menor que este limiar, está tudo bem. Porém, na exposição (cumulativa) em dose efetiva, abaixo de 100 a 150 mSv (milisievert) não há nenhuma evidência clara de que aumenta a probabilidade de formção de câncer. (*2)

*2) A Comissão Internacional de Proteção Radiológica adota a “idéia” de que a incidência do câncer aumenta numa taxa constante, conforme a dose da radiação, mesmo ela sendo abaixo de 100mSv (milisievert) em dose efetiva. Isto porque para as pessoas que provávelmente irão se expor à radiação, será “mais seguro” pensar que aumentará o risco de carcinogênese mesmo abaixo de 100 mSv.

Bom, se a exposição for acima de 100 mSv a 150 mSv (milisievert) em dose efetiva, a probabilidade de câncer aumenta, mas não passa de 0,5% a mais com 100 mSv. Já com 200 mSv aumenta para 1%, e conforme aumenta a dose, a probabilidade aumentará de forma “linear”.
Todavia, no caso dos japoneses, 1 entre 2 pessoas adquirem câncer, portanto, desde o início o risco de cancer é de 50 %. Então significa que a probabilidade de adquirir cancer, aumenta de 50% para 50,5% ou para 51%.

E outra, os impactos da radiação sobre os seres vivos que deverão ser distinto do [Efeito estocástico] é o de [Efeitos determinísticos]. Neste caso, ocorre a redução dos leucócitos ou faz perder a função reprodutiva. Este [Efeito determinístico] ocorre pela morte celular causado pela radiação. Ao contrário disso, a formação do câncer (que é um dos [efeitos estocásticos] ) é a influência da radiação sobre as células que sobreviveram. Todos os impactos exceto a “carcinogênese” (formação do câncer) são [efeitos determinísticos].

O nosso corpo é formado por mais de 60 trilhões de células das quais 1 a 2% destes morrem todos os dias. Significa que se for 1%, todos os dias morrem cerca de 600 bilhões. Mas nós “não sentimos” nada disto.
Mesmo que pelos efeitos da radiação venham morrer mais células do que a “morte natural” delas, não se vê problemas até que a quantidade de células mortas venha atingir um certo nível pelo aumento da dose de radiação. Pois as células sobreviventes conseguem compensar os tecidos e as funções dos órgãos.

A dose de radiação na qual as células sobreviventes não conseguem mais compensar as células mortas, devido aumento da quantidade de células mortas, é o “limiar” (limite). Isto é, quando a dose de radiação alcança o limiar começam a aparecer falhas ou os problemas, e se estiver abaixo do limiar, não há problemas. Por isso os Efeitos estocásticos que forma o câncer mesmo com uma dose insignificante de radiação e os Efeitos determinísticos (como a redução dos leucócitos ou perda da função reprodutiva) que aparecem somente depois de se expor a uma certa dose de radiação, são diferentes.

No dia 24/03, foi noticiado que 3 funcionários receberam radiação na pele do pé em doses equivalentes de alguns Sievert (Sv), em outras palavras, alguns milhares de milisievert (mSv), ou ainda, alguns milhões de microsievert (μSv).
Se a exposição for abaixo de 3 Sv (Sievert), não se vêem sintomas na pele (actinodermatitis). Isto porque não alcançou o limiar.

Os leucócitos começam a diminuir com cerca de 250 mSv (milisievert, cumulativa) em dose efetiva. Essa dose é o limiar para todos os [Efeitos determinísticos]. Ou seja, com dose abaixo desse limiar, pode-se dizer que não aparecem efeitos determinísticos.

E não podemos levantar a hipótese de que nós cidadãos comuns, venha sofrer uma grande dose de exposição como 250 mSv (milisievert) em dose efetiva. O que nós devemos nos preocupar é sobre o [Efeito determinístico], ou seja, pelo aumento do risco de câncer. Quanto a outras coisas, não vem a ser problema.

Nós achamos que é de suma importância nós termos a consciência em comum a respeito disso e por isso resolvemos escrever no blog.

Referências:
・The 2007 Recommendations of the International Commission on Radiological Protection: ICRP Publication 103. Ann ICRP 37, 1-332 (2007).
・Low-dose extrapolation of radiation-related cancer risk: ICRP publication 99. Ann ICRP 35, 1-140 (2005).
・UNSCEAR, 2000. Sources and Effects of Ionizing Radiation. United Nations Scientific Committee on the Effects of Atomic Radiation Report to the General Assembly with Scientific Annexes.Vol. II: E United Nations, New York, NY.
・UNSCEAR, 2001. Hereditary Effects of Ionizing Radiation. United Nations Scientific Committee on the Effects of Atomic Radiation Report to the General Assembly with Scientific Annexes. United Nations, New York, NY.

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Mais referências a respeito do assunto, aqui no site da Secretaria de Estado da Saúde – Paraná

Abaixo, um breve resumo...

Efeitos estocásticos
São efeitos em que a probabilidade de ocorrência é proporcional à dose de radiação recebida, sem a existência de limiar. Isto significa, que doses pequenas, abaixo dos limites estabelecidos por normas e recomendações de radioproteção, podem induzir tais efeitos. Entre estes efeitos, destaca-se o câncer. A probabilidade de ocorrência de um câncer radioinduzido depende do número de clones de células modificadas no tecido ou órgão, uma vez que depende da sobrevivência de pelo menos um deles para garantir a progressão. O período de aparecimento ( detecção ) do câncer após a exposição pode chegar até 40 anos. No caso de leucemia, a freqüência passa por um máximo entre 5 e 7 anos, com período de Latência de 2 anos
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Efeitos determinísticos
São efeitos causados por irradiação total ou localizada de um tecido, causando um grau de morte celular não compensado pela reposição ou reparo, com prejuízos detectáveis no funcionamento do tecido ou órgão. Existe um limiar de dose, abaixo do qual a perda de células é insuficiente para prejudicar o tecido ou órgão de um modo detectável. Isto significa que, os efeitos determinísticos, são produzidos por doses elevadas, acima do limiar, onde a severidade ou gravidade do dano aumenta com a dose aplicada. A probabilidade de efeito determinístico, assim definido, é nula para valores de dose abaixo do limiar, e 100% acima.